Fotografia da minha autoria

«A vida é feita de escolhas [...] Eu escolhi ficar»

A motivação com que nos envolvemos em projetos pessoais dita, inúmeras vezes, o futuro dos mesmos. É normal existirem dúvidas, momentos menos inspirados, fases mais conturbadas, mas se os construirmos com bases sólidas, a vontade de ficar será sempre maior do que a vontade de partir. Além disso, nunca vemos o final da estrada, porque acreditamos na continuidade. E, enquanto assim for, arranjaremos forma de encaixotar as indecisões. De reinventar o percurso. E de recuperar a energia que nos levou a dar o primeiro passo. Quando algo nos apaixona, não sabemos - nem queremos - largar a mão.

// Motivos para ter e manter um blogue //

As razões são infinitas. E todas válidas, desde que não coloquem em causa o trabalho desenvolvido pelos demais. No meu caso, como sempre adorei escrever, foram as letras que me guiaram até à Blogosfera. É no meio delas que me sinto plena. Segura. E em casa. Em simultâneo, são a minha liberdade e a minha catarse. E esta plataforma é o meio mais entusiasmante que tenho para chegar aos outros, para dar asas a tudo o que me move - na música, na literatura, na arte em geral. Portanto, manter o blogue não é só a decisão mais natural, é também a certeza de que ainda tenho muitas palavras para partilhar. E, sentindo-me bem por aqui, não tenho intenções de voar para outro lugar.

// Como manter um blogue, se uma página de facebook/instagram permite quantificar mais likes, comentários e obter eventuais parcerias que aumentam a visibilidade //

As redes sociais permitem-nos estabelecer uma ligação rápida e alimentam-nos o ego, porque há uma resposta quase imediata. Há um lado de facilitismo e descomplicação que cativa, porque a própria abordagem é diferente. No entanto, continuo a acreditar que respondem a propósitos muito distintos do blogue. Para mim, que não tenho essa pretensão de aumentar a visibilidade [como foco da minha dedicação] e de estabelecer parcerias, observo-as como um complemento, até porque me posso dedicar a outra das minhas paixões: a fotografia. Mas o blogue é a minha base. É onde eu desconstruo as minhas ideias, onde fundamento as minhas opiniões e onde tenho genuína satisfação em produzir conteúdo. Além disso, esta plataforma acaba por ter um lado menos descartável com o qual me identifico. Numa época em que as pessoas não querem perder tempo, uma partilha no instagram pode ser mais vantajosa para quem lê e para quem cria, mas isso não significa menos trabalho de bastidores. Uma publicação na Blogosfera, consciente ou inconscientemente, exige mais tempo, mais concentração e mais organização. Porém, uma coisa não invalida a outra. Tudo depende do nosso objetivo. Como eu aprecio a liberdade de escrever sem limites - e não vou à procura dos números -, manter o blogue não é difícil. Além disso, acho que também depende muito das nossas preferências: como eu dedico mais de mim ao blogue do que às redes sociais, o primeiro faz-me muito mais sentido. E o meu investimento orienta-se nessa direção. Para diferentes fins, diferentes meios, sem haver necessidade de diminuir um para fazer sobressair o outro. 

// Existiram fases de menor inspiração que me levassem a repensar a minha presença por cá? //

Honestamente, é uma reflexão que privilegio com regularidade, porque gosto de analisar o meu percurso e de perceber qual tem sido o meu contributo nesta plataforma. Sobretudo no início, houve momentos em que a inspiração esteve mais ausente, talvez por ainda não ter definido bem o caminho, mas isso não me demoveu. Claro que estes dez anos não foram um perfeito mar de rosas, existiram altos e baixos, ao ponto de abandonar a minha primeira casa para fazer morada numa que me completasse mais. Passei, também, por uma fase de dúvidas e muitos «e se?». Contudo, mesmo que soe a lugar comum, isso fez-me crescer, porque me deixou mais consciente do que funciona comigo e do que não pretendo recuperar. Dez anos exigem compromisso. Auto-conhecimento. E, acima de tudo, muito respeito próprio. Este marco não é transcendente, mas alimenta-me a alma. Porque é uma conquista especial, é a confirmação de que estou onde pertenço. Custou, mas cheguei lá. E valeu a pena cada transformação. Este é um processo como qualquer outro. E é por isso que repenso sempre a minha presença blogosférica, pois quero que continue a ter significado, mesmo que possa vacilar em alguma circunstância. Enquanto quiser escrever páginas futuras, não há algo que não se aguente. Os dias de luz vencem sempre.