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Em certos ângulos de visão, o Hotel Central ainda domina a paisagem do centro de Macau. A fachada verde subindo sobre os edifícios do largo do Senado, o topo com os caracteres vermelhos que indicarão, suponho, o nome do estabelecimento, a porta a dar para a San Ma Lo, avenida central que os portugueses baptizaram com o nome de Almeida Ribeiro, mas que toda a gente conhece pelo nome chinês. O que o Hotel Central já não tem é a elegância que Ian Fleming descreveu com detalhe e espanto no capítulo de Thrilling Cities que dedicou a Macau. Onde antes haveria um lobby luminoso e um elevador que ascendia pela pirâmide social de Macau enquanto se sucediam andares cada vez mais luxuosos, cruzando o jogo em ambiente controlado e a prostituição de luxo disfarçada de serviço de acompanhantes, hoje há um átrio que podia ser o de um prédio dos subúrbios de Lisboa. Ao fundo vêem-se dois elevadores cinzentos, banais, sem nenhuma promessa de desembocarem em salões dourados onde o fan-tan se jogava em mesas limpas. À porta, sobretudo à noite, é muito fácil identificar um dos lugares de prostituição da cidade, agora de um modo tão óbvio que nem Ian Fleming conseguiria dizer que são apenas raparigas que procuram diversão.