Por José Reinaldo do Nascimento Filho
Terminei.
“Quando comecei a escrever, disse que esta era uma historia de ódio, mas não estou certo disto. Talvez meu ódio seja realmente tão deficiente quanto meu amor. Acabei de levantar dos olhos do que escrevia e vi meu próprio rosto no espelho ao lado da escrivaninha, e pensei: será que o ódio realmente se parece com isso”? (p.71)
O inglês Henry Graham Greene conta no romance fim de caso (1951) uma história sem muitos atrativos, que segura o leitor devido à sua elegante e enxuta forma de escrever. No livro, o novelista Maurice Bendrix passeia despreocupado pelas ruas de Londres, quando, coincidentemente, depara-se com o marido de sua ex-amante, Henry Miles, e dali resolvem sentar-se num pequeno bar para conversar (a título de informação: Maurice e Sarah, esposa de Miles, tiveram um ardente caso, até que, sem nenhum motivo aparente, Sarah terminou tudo entre ambos).
Desse inesperado encontro, Maurice reacende a sua antiga obsessão por Sarah; que ganha proporções alarmantes principalmente quando Henry lhe conta sobre as suas suspeitas quanto a fidelidade de Sarah. Assim, nutrindo tanto o ódio quanto o amor pela ex-amante é que Bendrix dá início a uma investigação para desvendar a identidade do suposto novo “affair”, como também para entender os porquês do abrupto rompimento do romance.
Na minha humilde opinião o livro aqui comentado tem dois grandes problemas: primeiro, cometer o mesmo erro que João Ubaldo Ribeiro no seu Diário do Farol; que é, justamente, fazer muita propaganda sobre si mesmo. Vejam como o tal João tenta nos convencer de que nos contará a mais perversa história de um homem, e como ele cometeu as mais vis ações contra outros seres humanos (o que definitivamente não é verdade). Com Graham Greene a “promessa traída” é parecidíssima, pois ele acredita estar, piamente, escrevendo algo sobre “A” obsessão, “O” ódio e “O” amor. No entanto, e venho aqui escrever para quem leu, percebe-se facilmente que os seus argumentos são fraquíssimos e frágeis, e que, em alguns trechos da obra, principalmente nas últimas páginas do livro, nota-se como algumas das suas reflexões são totalmente desnecessárias e frágeis – principalmente aquelas no final do livro, nas quais o autor aborda temas sobre Deus e filosofia. Querem outro exemplo a respeito da “promessa traída”? Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Nesse livro Ramos acredita estar escrevendo algo que merece e precisa ser contado, como se tudo que ele escrevesse ou fizesse fosse realmente relevante. Contudo, e isso é novamente para quem folheou às suas memórias, sabe que Memórias do Cárcere, apesar de toda a sua benfeitoria e singularidades, nada engrandece como história (pelo menos não a mim). A segunda falha está no clímax; ou melhor, na escolha do autor em escrever o clímax na página 164, sendo que o livro – pelo menos a minha edição – possui o total de 236 páginas. E aqui leitor deixo para você mesmo comprovar as minhas impressões sobre o livro aqui analisado.
Ódio, amor, ciúme, relações amorosas, casos extraconjugais (não necessariamente nessa ordem) são os elementos norteadores do romance de Graham Greene (Ah, sim. Você também lerá acerca da existência e da natureza de Deus…).