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| Fotografia da minha autoria |
«Que força é essa/que trazes nos braços»
amanheci
de olhar raso de lágrimas
a temer ainda mais o medo
de um amanhã que não me parece crescer
noutro lugar
sou filha de abril
em nascimento e por convicção
e se me querem roubar a liberdade
eu não recuo
ainda que vá lamber as feridas
de uma esperança estilhaçada
é que mesmo no silêncio há muito barulho
e talvez tenha de ir para a rua
quebrar as gaiolas que tentam fechar a sete chaves
renasci abril
no cravo, no e depois do adeus, na grândola, nas mãos que não se largam
tornei-me rosto por legado
e mantenho acesa esta chama que me faz crer livre
porque, já canta Slow J, eu não sei lidar com o ódio
amanheci
desolada, a contrariar a tristeza
a semear amor em terreno minado
a usar as palavras como arma
como se fosse o primeiro dia
e por isso renasço
porque me revesti de abril
até naquilo que não digo
perdemos todos, mas estamos lúcidos
e nos destroços encontraremos poesia
lado a lado, a quebrar os muros que nos sufocam
urge resistir, a luta continua
porque por dentro ainda nos corre a mudança
abril, em tudo o que sou
