03
Jun24
Maria do Rosário Pedreira
Não costumo correr atrás dos finalistas de prémios, embora em alguns casos esta posição em certos galardões seja um bom indicador do interesse que pode despertar determinado livro ou da sua qualidade literária. Mesmo assim, não foi por Os Detalhes, da sueca Ia Genberg, concorrer com Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, ao Booker Prize International que o fui ler assim que saiu. A verdade é que a tradutora sueca de Itamar Vieira Junior, Inger Midmo, já mo tinha aconselhado há uns meses e, quando soube que ia ser publicado por uma colega minha na Dom Quixote, cravei logo um exemplar. Trata-se de um conjunto de memórias associadas a diversos momentos do passado da narradora, memórias que, regra geral, estão elas próprias associadas a pessoas com quem viveu e teve relações próximas, fossem de amizade, coabitação, atracção física ou mesmo amor. Partindo da premissa de que as pessoas que tiveram importância na nossa vida não desaparecem, mesmo que tenham desaparecido fisicamente há muito tempo, porque deixam em nós uma parte delas em detalhes que nos tornaram diferentes, teremos neste romance fragmentário quatro presenças fundamentais que ajudaram a construir uma vida, quer pela negativa, quer pela positiva. Bastante interessante e diferente do normal, algo que fica decididamente entre a memória e a ficção e que vale a pena conhecer.
P. S. Esta semana não vou ter mais posts, pois vou a um Festival de Poesia em Roterdão, do qual só regressarei no domingo (mas já fui votar, votem também); como segunda 10 é feriado, só dia 11 voltarei ao blogue. Obrigada aos que esperarem; e leiam livros até lá.