Desta vez olho para os números das eleições de longe, numa análise sem o condicionalismo das opiniões dos outros, sem ter visto 1 dos muitos minutos de análise que imagino terem existido ontem e hoje nas nossas televisões. Talvez por isso me tenha apetecido registar a minha opinião (mais para memória futura que por outra coisa). Não sou boa analista política mas gosto de olhar para os números. E as Europeias, onde só vota quem vota sempre, são um bom barómetro para a coisa.
Livre - Agora o L já sabe quando vale em números absolutos. Depois da brincadeira do Paupério, emendou a mão (e não invalidou a eleição do Paupério nas primárias) mas não engoliu o sapo, mostrando que não acredita efectivamente no método que já lhe deu dois dissabores extremamente públicos. Costuma dizer-se que à segunda oportunidade desperdiçada, "shame on you" e à terceira "Shame on me". Os votantes do L não vão dar terceira oportunidade ao partido do Rui Tavares. Pena ver um partido cortar assim as suas hipóteses de futuro mas só podem culpar-se a si mesmos.
BE - Outro partido cujos números mostram o que vale de forma sólida. As circunstâncias pontuais e o carisma individual podem fazê-lo crescer mas é esta a base. Sem grande história, aqui.
PCP - Ainda não declaro o PCP moribundo porque é o PC, que tem base sólida como poucos partidos e ainda pode reinventar-se mas a eleição do João Oliveira tem mais a ver com ele que com o partido. Vejo o PC como uma pirâmide que se está a fundar. A base está lá mas apenas acima da linha d'água pouco ou nada já existe.
PAN - Para um partido que se diz de pessoas, animais e natureza é impressionante como o PAN consegue não perceber nada do mundo rural. Enfim, qdo a Inês Sousa Real se cansar aquilo acaba.
CH - já sabemos quanto vale o voto de protesto e quanto vale o CH. O Ventura vai ter que decidir se vale a pena ir buscar os votos que perdeu para os chalupas, se consegue convencer os eleitores que continua a ser um partido de protesto fora do sistema ou se quer tentar ser mais que isso. Para já perdeu a vantagem dos números.
IL - Vão convencer-se que estes números são reais mas se não tiverem pesos pesados nas próximas legislativas vão baixar e muito.
PD e AD - bem, acho que podemos dizer que ninguém vai querer eleições antecipadas. O PSD vai ter que mostrar o que vale no governo e o PS na oposição (e pode agradecer a vitória à confusão arranjada pelo Livre). E ambos vão ter que perceber como convencer alguém (especialmente os mais novos) a votar neles.