(Janet Pearce, fotografia de Bob Guccione)

Há um tempo atrás soube da estória de um senhor, americano talvez, que leu os poemas do Pessoa e se apaixonou por eles. Então decidiu aprender português e vir para cá. De facto, os livros são armas poderosas que podem influenciar milhões de vidas. Não concordo quando se diz: isso é só mais um livro não tem importância - tem sim, a partir do momento em que alguém o escolhe, despende tempo com ele e absorve as suas ideias. Em regimes autoritários os livros são sempre os primeiros a sofrer...É incrível que alguns tenham conseguido chegar às nossas mãos ainda assim. Claro que a maioria das pessoas não irá aprender russo depois de ler Tolstoi, mas pode ser que em alguns casos os livros possam tornar as pessoas um pouco melhores. Vejam: se lerem dez livros por ano com quantas personagens contactam. Com as suas características, dramas e escolhas com as quais vocês se podem identificar ou não. Podem achar a Anna Karenina uma personagem horrível, mas de qualquer modo vão dispensar algum tempo avaliando a sua situação. Será que os livros nos tornam mais empáticos? O que fariam se vivessem numa sociedade como a da Anna? Como julgam as pessoas vossas conhecidas? Mais sensíveis ou mais insensíveis ao sofrimento? Uma vez encontrei um texto que dizia para se ter cuidado com as garotas que lêem: estão habituadas a dizer adeus a dezenas de heróis apenas com um simples virar de página...Talvez apareça um livro que mude a vossa perspectiva sobre uma cultura ou assunto. Uma picareta que quebre esse gelo interior. Mais críticos ou mais tolerantes? Divagações nesta segunda feira instável. Mas ontem o mar estava calmo e o céu parecia seda...