De James Bradley, conta-nos a história de um arqueólogo que procura na areia de uma praia australiana factos históricos que provem a presença de portugueses. Bem, algo importante ele acaba por encontrar mas não seria bem o que ele estaria à espera. 

Este é um romance que retrata duas histórias de amor passadas em tempos diferentes mas que se cruzam, pedacinho a pedacinho, como as peças de um puzzle. Enquanto vai conversando com o moribundo Kurt que como ele, procurou a caravela portuguesa do século XVI que se teria afundado algures naquela praia no Sudoeste da Austrália, David conta com a ajuda de uma médica e amiga, com a qual se envolvera anos antes e com quem se acaba por voltar a envolver agora. Kurt está delirante e aquilo que conta nem sempre pode ser tido como absolutamente verdadeiro, mas David não duvida de que ele sabe mais do que conta. No final do livro, a surpresa não é muita. Não se descobre nada de que já não fossemos sabendo página após página: que houve muito encobrimento ao longo da história. 

Levanta-se a questão: o que mais terá sido mal contado ao longo da história? Muita coisa, claro, que foi contada consoante era o narrador interessado em dar o brio aos portugueses ou a outros. Este livro, relata de forma bastante pormenorizada alguns episódios do início do século XX, das diferentes classes sociais, das suas relações e de como se ascendia ou se mostrava poder nessa mesma sociedade. Os registos históricos que nos levam a saltar entre duas histórias (há dois narradores, um participante e outro não, que nos ajudam a entender quando e onde nos localizamos) parecem ser bastante exatos.

O próprio James Bradley terá nascido na Austrália (1967, Adelaide) e por isso saber tanto sobre as caraterísticas dos locais sobre os quais escreve nesta sua obra.