Cópia de Cópia de Cópia de Cópia de Uma das ú

Mais sobre o livro AQUI

Vou arriscar-me numa comparação vinícola (será assim que se diz?), podendo ser bastante patética, até porque pouco percebo de vinhos. Um bom tinto de quando em vez, uma ginjinha aqui e ali (sempre revestida a chocolate, é claro).

Ler Afonso Cruz é como saborear um copo de vinho antigo, daqueles guardados na adega desde o tempo em que o avô era menino; daquelas garrafas que, quando nos filmes alguém aparece com uma, todos os personagens fazem uma festa. O sabor está em cada gole e não no baque final.

 Neste “Nem todas as baleias voam” meteram-se as expectativas e, quando já se leu “Para onde vão os guarda-chuvas”, espera-se o céu.

Sublinhei muito. Porque as personagens que saem do imaginário de Afonso Cruz sabem deste negócio de viver mais do que quem pisa o mundo a sério.

Temos um músico de jazz que perdeu o amor da sua vida. Um filho que precisa do amor do pai, mas cujo pai se perdeu porque perdeu o seu amor maior. Temos um livreiro e a sua esposa e a dor do que lhes aconteceu. Pareceu-me que eram três: ele, ela e a dor. Temos um louco, mascarado de quem está do lado dos bons.

Ficou a faltar-me qualquer coisa do filho que precisava do pai. Não sei explicar o quê.