Errox de digitacão
escrita, erros de digitação, processo criativo, cronica
No dia em que um escritor não cometer erro de digitação, pasmem, haverá um problema Matheus Lopes Quirino Começo fazendo a mea culpa: cada vez mais tenho cometido erros de digitação. Nessa primeira frase, por exemplo, a palavra “começo” precisou ser reescrita. Foi um c normal no lugar do ç. Nada que uma releitura não pegue, de cabeça fresca, de preferência. Digitar errado e seguir em frente é uma das qualidades de quem já deve ter atingido o nirvana nesta vida. Para os meros mortais, como este cronista, é uma penitência diária. Reler vira espécie de antirrefluxo diário. São inúmeros exemplos que posso contar. Bobeadas enormes que, o texto lido, novamente, seria fácil de evitar. Quando o texto vai para o espaço, mesmo que o leitor não perceba, o escritor vai perceber. E, se puder, mudar seu texto até a paciência se esgotar. Ou que acabem conosco via redes sociais e antissociais. Escrever no celular, essa realidade inevitável, contribui, e muito, para as bolas fora. No parágrafo anterior, por exemplo, na primeira versão deste texto, espaço era escrito com X, expaço. Uma segunda ou terceira lida foi suficiente para o X da questão saltar ao olho. É uma questão de distração. Mas de cabeça cheia, olho viciado, luz azul, demanda alta, pressa, correria, e lá vai lamentação. Se distraídos venceremos, que seja com erros ortográficos (despropositais). Por que não? É uma questão de bom senso também, não importa escrever errado desde que se saiba que está errado. No exercício de reler textos e reportagens feitas no calor do momento, é numerosa a quantidade de erros de digitação. Alguns scritores têm a mania de incorporar o próprio Rui Barbosa em matéria de correção gramatical. A lapidada língua portuguesa como centro das atenções. É quase xk.o se fosse uma antiguidade. Deixo o último parágrafo inalterado, para o leitor se zangar de propósito. Ergueremos uma enorme placa em frente ao cubículo: estamos a zero dias trabalhando sem cometer erros de digitação, recorde: zero dias. Publicado por Matheus Lopes Quirino Jornalista, foi repórter e editor-assistente do caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo. Escreve sobre livros, artes visuais e cultura. Ver todos os posts de Matheus Lopes Quirino
Texto originalmente publicado em Revista Fina