
Ao longo na minha vida de amante de livros não “perdi” muitos. O “perdi” aqui assume diversas formas, perdi porque perdi de facto, perdi porque emprestei, perdi porque provavelmente ele “desapareceu” da minha casa… é, acredito, o caso do livro sobre o qual hoje escrevo, na sequência da morte do presidente americano Jimmy Carter,
Há mais de 25 anos comprei por 500 Escudos num numa livraria alfarrabista do Chiado, entretanto extinta, um livro do presidente Jimmy Carter. O livro, “Talking peace : a vision for the next generation”, apresentava sinais de uso, mas estava em bom estado.
Na qualidade de estudante de Relações Internacionais pareceu-me uma boa compra para adicionar à minha biblioteca até por reconhecer Jimmy Carter como alguém merece ser lido e conhecido o seu pensamento e as suas ideias.
Só quando cheguei a casa reparei que o livro estava autografado pelo seu autor com uma dedicatória a alguém que identificou como “Good friend” com uma dedicatória que não recordo na integra, mas que apontava para a necessidade de passarmos o que melhor sabemos para aqueles que trazemos ao mundo para que construam um mundo melhor.
Nunca dei muito valor ao facto de ter um livro autografado pelo autor, mas confesso que fiquei “todo inchado” por ter um livro assinado por um presidente americano, mais ainda, um dos mais humanos e realistas da história mais recente da América, e acabei por mostrá-lo a alguns colegas e amigos.
Cheguei a perguntar na livraria se tinha ideia de onde teria vindo. Sem certezas, disseram-me que teria sido entregue por alguém que recebeu um lote de livros oferecidos da embaixada americana. O livreiro ficou surpreendido porque não tinha noção da assinatura do livro e ainda levei nota, “se soubesse não tinha vendido por 500 Escudos”…
O livro acabou por desaparecer da minha pequena biblioteca. Não foi emprestado, foi “sumido”. Com muita pena minha. Esta semana, perante a morte do seu autor recordei-me desta história e quis partilhá-la aqui. O livro, já agora, era muito interessante e tinha muito do que falta hoje à maioria dos políticos.