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Eu pensava que este livro era uma história fofinha sobre um inglês que vai para o Uruguai, salva um pinguim cheio de petróleo numa praia e cria uma amizade enternecedora com ele, e era mesmo o género de livro que eu estava a precisar de ler.

Na realidade, além da amizade que se cria entre o personagem principal e o pinguim, a história passa-se na Argentina dos anos 60 e 70, altura em que o governo peronista terminou com um golpe militar e há muitas referências políticas no livro também. Que só o tornam, na minha opinião, mais interessante.

O Juan Salvador foi um pinguim que cativou e encantou todos os que o conheceram naqueles dias sombrios e perigosos - dias que assistiram ao colapso do governo peronista em atentados terroristas e numa revolução violenta, quando a Argentina estava à beira da anarquia. Foi uma altura em que as liberdades, oportunidades e atitudes eram completamente diferentes das de hoje. Contudo, um jovem viajante como eu e o inimitável e indominável Juan Salvador viríamos a tornar-nos companheiros muito felizes depois de eu o salvar em circunstâncias dramáticas de mares mortíferos da costa do Uruguai.

O pinguim acaba a viver durante algum tempo no colégio interno onde Tom trabalha. É um ambiente bastante protegido, mas lá fora, a Argentina está a implodir. A inflação dispara todos os dias, ao ponto das pessoas receberem o ordenado e gastarem tudo para depois venderem aquilo de que não precisam a preços mais elevados. Ou de irem ao supermercado, chegarem à caixa e os preços já estarem mais elevados do que os que estão marcados nos produtos. Ou de uma viagem de avião entre a Argentina e a Inglaterra custar o preço de um carro.

Claro que não deixei de me lembrar desta tira da Mafalda (do autor Argentino Quino):

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Enfim, é um livro fofo, mas que também se foca um pouco na história política da Argentina, e recomendo bastante. Como é que ainda não foi transformado num filme? Não faço ideia.