«Silêncio
Do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco
[...]
O sangue corre nas ruas
Bombas que caem do céu
De famílias como a tua
Que ninguém socorreu
Não me ouças, não me sigas
Se tu não te importas
Eu vim para abrir ao pontapé
Todas as portas
Vim para falar de genocídio
De racismo ao microfone
Há quem se esconda no cinismo
Eu meto a boca no trombone
[...]
Não escrevas empatia só para aparecer
Ser empático é comparecer
É sofrer por ver alguém sofrer
É a ferida no corpo dum outro
Que insiste em doer»