Livro perfeito para o Halloween.
Mortina é uma menina absolutamente normal, que por acaso é um zombie. Vive com a Tia Falecida, o seu cão Tristonho e o gato Sombra na Mansão Decadente. Adora a sua casa, o seu cão e a sua família (há vários mementos de outros familiares ao longo da obra), mas o seu maior desejo é ter amigos. Isto porque a Tia Falecida lhe impõe uma regra: não pode dar-se com as pessoas da vila, antes que descubram o segredo da família.
Sabemos, por outras obras, que isso realmente não costuma correr bem. Há vários filmes que mostram os aldeões enfurecidos, de archote em punho, motivados pelo medo e ignorância do desconhecido.
Mortina muitas vezes ouve crianças brincar, e anseia poder juntar-se a elas. Quando, num desses momentos, descobre o Halloween, e que as outras crianças se disfarçam de monstros, ela resolve fazer um plano para se poder misturar e fazer amigos durante uma noite, indo vestida normalmente. Aceitam-na prontamente, elogiando o seu disfarce de zombie; o problema é quando ela se descuida, e dá a entender que não é um disfarce...
É um livro sobre a importância da amizade e da aceitação, em torno do Halloween. É uma mensagem bonita e especial (Mortina é diferente dos outros por fora, mas igual a eles por dentro) com uma escrita bastante apelativa. Quem nunca se sentiu sozinho e só queria fazer amigos? As personagens são únicas e excêntricas (uma espécie de Família Addams mais reduzida), os desenhos são maravilhosos e divertidos, com uma excelente palete de cores que "disfarçam" o tom mórbido da história. Segundo percebi pelo Goodreads, há toda uma série a caminho!
Pontos altos: a ideia do Sombra a ser cosido com linha laranja, o disfarce que o Tristonho ajuda a Mortina a conceber e as pequenas anotações sobre os vários objectos na casa e os familiares retratados. Sinto, no entanto, que se algo assim acontecesse realmente, o desfecho seria um pouco diferente...





