
Boa noite leitores,
Demorei alguns dias para conseguir falar sobre esse #livro porque ele me impactou bastante. Cheguei a ter pesadelo, inclusive, com o tema. Pelo olhar e investigação da incrível jornalista e autora, que eu já conhecia (Segunda feira sai vídeo sobre esse e outro livro reportagem dela, o “Holocausto brasileiro”), pudemos conhecer a história de Milton Soares de Castro, que aos 26 anos foi preso por se opor à ditadura militar e como tantos outros teve sua liberdade confiscada, seu corpo torturado, porém e além disso, foi o único preso político da penitenciária de Linhares, Minas Gerais, a morrer na prisão e ter o corpo “desaparecido”. Sua família que, assim como ele, era de Porto Alegre, buscou durante mais de trinta anos, descobrir seu paradeiro, sem sucesso, a mãe falecendo sem nunca ter podido enterrar o filho, até que a jornalista começa uma busca corajosa para descobrir a verdade. Em 1967 a história apontada seria de suicídio. E através de dezenas de entrevistas com todos os envolvidos (ainda vivos), além de podermos conhecer muitos outros personagens que lutaram contra esse regime, a busca de documentos, laudos e informações, finalmente é revelado seu assassinato, descoberto onde seu corpo foi enterrado e os responsáveis pela farsa. Pra mim ainda restaram algumas perguntas, mas o final é emocionante e certeiro. Um livro fundamental para nos dias atuais ser lido. Àqueles que são saudosistas do período de chumbo, a pergunta que fica é: que tipo de sociedade queremos construir? A violência nunca se provou o melhor caminho. Todo ser humano deve ter sua dignidade respeitada pelo Estado. Esse mesmo Estado que ainda em 2020 normaliza mortes de civis inocentes, praticando a violência nas periferias em busca de uma suposta segurança e paz, que nunca virá. Os relatos são bastante fortes e chocantes. É um ótimo instrumento de cidadania e reforço à democracia. E repensarmos sobre a Anistia que absolveu não só os cidadãos, o que seria bom, assim como todos os integrantes do Estado de responder pelos seus crimes. Até que ponto isso afeta nossos dias atuais? O país que não repensa sobre seu passado e suas tragédias é de fato um país livre? Bastante detalhado, os acontecimentos beiram o absurdo. Contém fotos que dão força a narrativa. Sobre a tortura como instrumento de poder, recomendo o filme da Amazon Prime, chamado “The Report” tendo a CIA como agentes da tortura.
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Beijos e até a próxima 📚🧡.