04

Jan21

Maria do Rosário Pedreira

Bom ano a todos – melhor do que 2020, claro, que foi um ano dramático em vários sentidos (a saúde, a economia, o emprego, as perdas de vidas). Queria ter fé em que este vai ser mais positivo, mas o meu 2021 começou muito mal: morreu Carlos do Carmo, um grande artista e um amigo que eu conhecia pessoalmente há mais de cinquenta anos. Receber tal balde de água fria quando se acorda no primeiro dia do ano sob o signo da esperança (sim, o pensamento era «este ano acabou, o próximo só pode ser melhor») foi, no mínimo, irónico… Nessa sexta-feira tão cinzenta, depois de ouvir a notícia, quis ir dar uma volta a pé para espairecer; mas, apesar de ter saído com sol, apanhei uma valente molha logo a seguir e tive de voltar para trás; depois, mordi sem querer a bochecha e fiz uma ferida feia que ficou a doer-me todo o dia. De repente, pensei: não podíamos, por favor, saltar este ano, se vai ser tão mau como o outro, e acordar em 2022, sem vírus, sem doenças, sem mortes? Mas não, não podemos. Como o nosso Carlos era um optimista, vou fazer-lhe uma homenagem tentando sê-lo também eu. Devia estar a dizer-vos o que ando a ler, mas preferia adiar isso para amanhã e deixar-vos hoje um pequeno testemunho que escrevi sobre o Carlos do Carmo (ver o link). E um pedido: ouçam-no sempre. O país está de luto. E eu também.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/uma-voz-de-estimacao