Por José Reinaldo do Nascimento Filho
Superestimado!!! Esta é a palavra para definir essa autora e o único romance dela. Fico a imaginar realmente o que se passa na cabeça dos inúmeros leitores que tiveram a chance de folheá-lo e os porquês de eles se apaixonarem e defenderem com todas as forças o que é narrado nessas (quase insuportáveis) 421 páginas (Abril Coleções).
O primeiro ponto a ser colocado aqui: a autora sabe escrever: a leitura é fluída, honesta, sem muitos floreios (uma ou outra palavrinha mais difícil aqui ou ali ou mesmo uma construção frasal mais bem elaborada, mas não passa disso).
Segundo ponto: a história. Eu li com muita atenção. Li mesmo, com toda sinceridade. Ainda não consegui fazer uma autocrítica para verificar se o culpado sou eu mesmo, minha ignorância, falta de sensibilidade. Mas você leitor, falarei com você, repense com calma o enredo, a trama, as duas personagens principais (Catherine e Heathcliff) e os coadjuvantes (que me desculpem: têm muito mais espaço no livro do que aqueles – vide Cath e Lindon). Até agora me pergunto o que eu li naquelas 421 páginas. Tire um ou outro momento mais dramático entre Catherine e Heathcliff e sobra o quê?
Vou aqui resumir a história e no final direi o porquê de tantas páginas desnecessárias: A história é narrada parte pela governanta, Ellen Dean, a Lockwood, locatário da propriedade Thrushcross Grange, em Gimmerton,Yorkshire, Inglaterra, enquanto ele se encontrava adoentado, e outra parte (beeeeem menor) é narrada pelo próprio locatário. A trama começa justamente com este chegando ao “título do livro” e sendo mal recebido pelo dono da charneca, Heathcliff. Depois do susto, ele vai para a sua nova moradia, encontra a governanta e, curioso para entender o motivo porque foi tratado daquele jeito (ele também fora tratado mal pela bela moça que morava na residência com o péssimo anfitrião), Lockwood faz a pergunta que dá ensejo ao livro: você pode me contar quem são aqueles loucos? Ellen Dean, de pronto, começa a contar (detalhe curioso: tudo, ou quase tudo que nos será contado, terá o ponto de vista dela, o que nos passa a impressão de que ninguém tem privacidade nessa história ).
Pois bem, Earnshaw, o senhor do rancho, resolve fazer uma viagem e na volta traz consigo um garoto órfão, ao qual denominam Heathcliff. Toda a sua atenção pelo mais novo ilustre morador enciúma seu filho legítimo, Hindley, que acha que está perdendo a afeição do pai (guri chato do inferno, mimado). Sua irmã, Catherine (mais conhecida como pé no saco), se afeiçoa por Heathcliff (imagine-se lendo por volta de 180 páginas para saber somente isso que lhe foi resumido e pense naqueles filmes chatos de meninos mimados que passam na Sessão da tarde ou no SBT ou mesmo aquele guri insuportável que vem visitar os seus pais junto com os tios de nome Valmir e Gilda e que invade seu quarto enquanto você está estudando ou mesmo jogando CS ou WOW ou LOL: pronto, insuportável assim).
Quando o Sr. e a Sra. Earnshaw morrem, Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações. Este, que já não tinha lá uma índole das melhores, passa a ficar cada vez mais bruto, sisudo, melancólico. Apesar do amor entre ele e Catherine, ela decide casar com Edgar Linton, por esse ter melhores condições de sustentá-la. Heathcliff sai do Morro dos Ventos Uivantes e, quando volta, está rico, chamando a atenção de Catherine e despertando ciúmes em seu marido. Catherine tem uma filha de Edgar – que morre logo em seguida. Heathcliff resolve se vingar de Edgar e de Hindley. Primeiro se casa com Isabella, irmã de Edgar. Ela, que era perdidamente apaixonada, se lamenta de ter casado com Heathcliff, abandona-o (ah, ela tem um filho dele chamado Linton). Hindley cai no vício do jogo e da bebida e perde todos os seus bens. Hareton, filho de Hindley, consequentemente, fica sem herança. Antes da morte de Edgar, Heathcliff casa Linton e Cathy (filha de Catherine e Edgar). Cathy descobre-se sem bens, quando seu marido Linton morre e Heathcliff apresenta um testamento onde seu filho lhe passava tudo quanto possuía. Heath acredita que a sua vingança está completa e morre. Como último desejo é enterrado junto com Catherine, seu grande amor. Deste dia em diante muitos juram ver sempre um casal vagando pelas charnecas do Morro.
UAU!!!! Você pode estar pensando agora. Como dizer que essa história é ruim ou mesmo que nada acontece? Pois bem, você já fofocou com alguém? Já ouviu uma fofoca bem esmiuçada de uma vizinha entrona? O livro é isso – uma grande fofoca – mais: um melodrama insuportável, frases de efeito do Heathcliff que beiram o ridículo.
“Pior para mim, que sou o mais forte. Quero por acaso viver? Que vida será a minha quando você… Oh, Deus do céu! Quereria você viver com a sua alma enterrada num túmulo?”
Meloso, não?!
“Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue…” “Só duas palavras poderiam descrever o meu futuro: morte e inferno. A minha vida depois de perdê-la seria um inferno”.
Muito mimimimimimi, personagens mimados, chatos (e isso em 421 páginas que se arrastam e se arrastam aí a gente vai e se depara com um acontecimento importante, exemplo: Isabella casa com Heath. Depois mais páginas e páginas de NADA e outra coisinha, como: aquele trecho gigantesco sobre deixarem ou não Cath visitar o primo doente, Lindon. As visitas em si. Sinceramente, o livro é chato, superestimado. Vocês apaixonados pelo livro podem dizer que sou ignorante, estúpido, insensível, ou mesmo que não gosto desse tipo de livro, mas me senti “assistindo” ao filme do Crepúsculo. Imagine a sinopse deste filme (legal, caso você nunca tenha ouvido falar e nem tenha visto a capa do DVD). Agora vá assistir. A gente sabe que está acontecendo alguma coisa, se não for uma mulherzinha, vai ficar irritado com aquelas frases do Edward, do tipo: morreria por você; se você morrer, leve-me também; para calcular o meu amor por você é só multiplicar as estrelas do céu com as gotas do oceano. A gente vai passando pelas cenas, mas no final a gente pensa: sim, aconteceu alguma coisa nesse filme? Uma ou outra cena para a gente falar aos amigos: olhe, tem essa cena em que ele faz isso e depois aquilo. Mas é só. CRISTO!!!!
Bem, espero que eu tenha conseguido transmitir alguma coisa com esse texto.
Superestimado.
Nota 2 de 5.
