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| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já»
A brisa serena, que me ondula os caracóis. A luz, ainda enfraquecida, que começa a colorir o céu azul, que me define a alma. Ao abrir a janela, é este cenário de paz que encontro. Por isso, abraçando o silêncio de uma rua adormecida, ligamos a Pão de Forma imaginária e partimos quase sem destino, mas com uma região em mente: o Alentejo esperava por nós. E Portalegre foi a nossa primeira paragem.
Esta cidade, que mantém muralhas do século XIII, convidou-nos para um passeio descontraído, ainda que mais superficial, calcorreando as ruelas com tanta beleza e detalhe. Estacionando no Largo Serpa Pinto, somos recebidos pelo Palácio Barahona, que se destaca pela sua fachada vistosa e, ao mesmo tempo, delicada, com traços que nos preenchem o olhar. Funcionando como Arquivo Distrital, é um imóvel de interesse público, que «preserva feições Barrocas».
Avançando na nossa rota, como seria de esperar, não resisti a explorar o Castelo. O acesso ao interior é gratuito. E construíram uma estrutura em madeira, que imprime um contraste vincado entre os vestígios medievais e o lado mais contemporâneo. A visita pelas ameias não é possível, atendendo ao estado frágil do percurso, porém, no segundo andar [salvo erro], tínhamos a oportunidade de ver uma exposição de André Bergano, denominada Olhar Taurino. Seguindo por uma entrada mais estreita, chegamos a uma nova sala, com uma janela aberta que, embora gradeada, nos permite ter uma vista sobre parte da cidade. Apesar de carecer de um maior cuidado, para evidenciar toda a grandeza desta edificação histórica, vale a pena visitar.
Por fim, porque ainda precisávamos de procurar um local para passar a noite [e não iríamos ficar em Portalegre], deslocamo-nos até à Sé. Localizada na Praça do Município, a fachada apresenta alguns sinais de desgaste, mas não nos deixa indiferentes pelos seus pormenores. Por princípio, nunca fotografo o interior de locais mais religiosos [sendo ou não possível fazê-lo], mas a arquitetura merecia um registo. A sua beleza é cativante. Talvez favorecesse com o restauro de algumas áreas, contudo, as janelas, os azulejos e as pinturas arrebatam-nos. O seu traço próprio é, sem dúvida, um verdadeiro encanto. Voltando ao exterior, ainda conhecemos um patudo cheio de pinta.
É certo que nos faltaram explorar mais paragens obrigatórias, porque Portalegre tem uma longa história e memórias palpáveis. Assim, despedi-me com a certeza de ter mais uma desculpa para regressar.
Já visitaram Portalegre?
