Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Acabei de voltar do cinema depois de assistir a um dos melhores filmes da minha vida. Exagero? Não para mim.

A separação, dirigido por Asghar Farhadi, é, segundo li, o grande favorito ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro amanhã e pode levar também o Oscar de Melhor Roteiro Original (vi O artista e Meia noite em Paris, dois dos concorrentes nesta categoria, mas seus roteiros nem chegam aos pés dessa preciosidade iraniana).

O filme começa com um casal enfrentando um processo de divórcio. A mulher, Simin, quer deixar o Irã, mas o marido , Nader, não quer acompanhá-la por causa do pai, que tem Alzheimer e precisa dos seus cuidados. Ele não quer o divórcio, mas até aceita a separação, contanto que a filha, Termeh, de onze anos, fique com ele. No meio disso tudo entra em cena a mulher que Nader contrata para cuidar do seu pai. Ela está grávida e tem uma pequena filha de uns seis anos.

Depois disso não dá para contar nada. Nada mesmo.

Mas posso dizer algumas coisas que não sejam relativas ao roteiro em si:

– Esse filme só seria possível num lugar de forte cultura religiosa como o Irã (o que é de certa forma um alívio, já que sabemos de antemão que Hollywood não vai querer fazer a sua versão daqui a dois anos);

– O roteiro é incrivelmente consistente. A história flui com muita naturalidade, todos os personagens têm suas motivações, seus dramas, suas dores e todos têm a oportunidade de revelá-las. Não há decisão fácil, e isso é um grande mérito do diretor/roteirista. É praticamente impossível você tomar partido de alguém. Não há vilões ou heróis. Há pessoas, cada um vivendo momentos tensos e tendo que lidar com problemas pessoais enquanto se desenrola o grande problema que é contado no filme.

– O filme é muito rico. Não sou um grande observador, e minha memória instantânea se desfaz como círculos de fumaça, mas quanto mais penso nos detalhes, mais percebo que tudo tem sua razão de ser. Seja uma palavra persa que o pai ensina à menina, ou uma manifestação de cansaço de uma mulher, ou a posição em que o casal se encontra na cena final, cada cena contribui para dar corpo à história, para dar vida às personagens.

– As personagens da história (os dois casais com suas respectivas filhas) estão todas muito bem, mas Termeh, filha de Simin e Nader, é que se encontra sempre tendo que tomar as decisões mais difíceis.

Não sei mais o que dizer. Este é um filme que pede discussão, não monólogos.

É, como falei, um dos melhores filmes que já vi, mas não é divertido. É sério, tenso, grave, mas vale cada segundo.

Termino com um pedido: veja-o, por favor, veja-o!

P.S.: Um pensamento me ocorreu enquanto voltava do cinema. Sabe qual seria a pior coisa que poderia acontecer com este filme? Ser dirigido por Steven Spielberg.

Minha avaliação:

5 de 5