16
Jun20
Maria do Rosário Pedreira
Um dos livros que ficou impedido de ver a luz em Março por causa da pandemia foi o novo título de Isabel Rio Novo, Rua de Paris em Dia de Chuva, «cruzado» de ficção e biografia de uma forma magistral. Na capital francesa, vivem-se tempos de profundas transformações, com a abertura das grandes avenidas e o despertar de uma nova corrente artística, o Impressionismo, que irá alterar o olhar dos indivíduos sobre a arte e o mundo. Mas que história de amor à distância poderão experimentar o protagonista deste romance – um diletante chamado Gustave Caillebotte, amigo e mecenas de pintores como Monet e Renoir e, afinal, ele próprio um artista de primeira linha – e a sua Autora, que há anos persegue a história deste milionário triste e decide agora escrever sobre ela? Combinando o impulso histórico com a tentação do fantástico, Isabel Rio Novo – duas vezes finalista do Prémio LeYa – oferece-nos uma peça literária fascinante acerca do poder da arte, que a confirma como uma das vozes mais relevantes da ficção portuguesa contemporânea. Esta é, obviamente, a minha recomendação para hoje.
