«Já não sabe onde anda

Chega tarde nem reclama

Beija todos os que ama

Tira a roupa e vai para a cama

Está sozinho outra vez

Conta os trocos para o mês

Adormece nos talvez

Tudo é cansaço e sensatez

[...]

Já nem dás pelo caminho

E trocas férias por papel

E nunca mudas de paragem

E és um rasgo na paisagem

[...]

Tens a voz que te conforta

E a cabeça que te entorta

E és desfeito de razão

E se o silêncio te atormenta

Nem o gato te aguenta

Não te dás com a solidão

Já não vês para lá da cabeceira

E se for é da tua maneira

E esclareces: não há viv'alma que te queira

Mas tu és desfeito de razão

Não tens casa que acolha o turbilhão

Todo tu és defeito e paixão»