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Mar24
Maria do Rosário Pedreira
O português é um idioma extremamente rico; quando vemos, lado a lado, um dicionário de Português-Inglês e outro de Inglês-Português, imediatamente nos apercebemos de que temos muitíssimos mais vocábulos do que os nossos velhos aliados. E isto passa-se realmente em todos os contextos. Um dia destes, fui jantar fora a um restaurante de bairro e aí encontrei na ementa uns «grenadinos», palavra que não conhecia associada a comida. Uma amiga que tem sempre a internet à mão consultou o telemóvel e logo descobriu que se tratava de uns finíssimos escalopes, enviando-me o link em que o descobrira, com o qual me diverti nos dias seguintes, pois só em termos de preparação, corte e confecção de carnes a oferta de palavras não pára de aumentar. Vejamos, por exemplo, termos como «lardear» ou «albardar» juntarem-se a vocábulos mais comuns como «atar», «chamuscar», «limpar», «cortar», «desossar», «picar» e «rechear». E, antes ainda de pôr a carne a cozinhar, podemos dividi-la em «escalopes», «bifes», tournedós», «costeletas», «entrecôtes», «medalhões, «supremos», «carrés», «selas», «rojões», «febras» e muito mais (além de «grenadinos», evidentemente, que acima referi). Finalmente, para confeccionar a carninha (estamos quase a poder provar), há várias técnicas à disposição, tais como «fritar», «cozer», «panar», grelhar, «guisar», «estufar», «assar», «saltear», «gratinar», «brasear» (e isto para usar apenas verbos, porque ainda temos coisas como «ao sal» ou «au bleu», mas não vale a pena ser exaustiva). Um dia destes volto com o peixe e com mais uma dúzia palavras que, em inglês, são quase de certeza menos de metade. Claro que a nossa comida também nada tem que ver com a deles, pelo que ler um livro de receitas em Portugal é mesmo uma aprendizagem da língua, lá isso é.