Fotografia da minha autoria

«Íntimo, poético e luminoso»

Avisos de Conteúdo: Ausência Parental, Morte, Referência a Suicídio, Violência

A vida é, muitas vezes, feita de uma subtil poesia melancólica, que conhecemos através de enredos intimistas, que nos desarmam. E eu só lamento não ter a oportunidade de descobrir o livro de Valérie Perrin pela primeira vez, para ser transportada para a sua energia e voltar a vivenciar o impacto maravilhoso da sua narrativa.

UMA HISTÓRIA DE DOR, AMOR E ESPERANÇA

A Breve Vida das Flores narra a história de Violette Toussaint, «guarda de cemitério numa pequena vila da Borgonha». O contexto em si já é surpreendente e original, mas a concretização deixa-nos quase sem fôlego, porque espera-nos uma montanha russa de emoções fortes, com reviravoltas desconcertantes, confidências trágicas e duas linhas temporais que se cruzam e que nos mostram como o passado e o presente se unificam.

«O Nono diz que o cheiro da morte pode não se agarrar à roupa, 

mas não existe detergente que o impeça de sujar o interior da sua cabeça»

Oscilando entre o riso e a lágrima, entre a revolta e a dormência, entre uma confortável sensação de felicidade e uma dose angustiante de tristeza, este romance prima pela sensibilidade, fazendo-nos sentir cada cicatriz. Assim, através das vivências desta protagonista, somos convidados a descobrir uma bagagem intensa de memórias e de circunstâncias que têm tanto de cómicas como de comoventes. Porque a Violette é inebriante.

«É a prova de que o medo dá asas»

A beleza da obra divide-se por inúmeras componentes, a começar pelos detalhes e a acabar na naturalidade com que a autora interligou os factos e nos levou por um cenário de dor, de amor e de profunda esperança.

UM TOM DE RESILIÊNCIA

Neste exemplar, nada acontece por acaso e existe um equilíbrio fascinante nos momentos de maior tensão. Tendo em conta o seu historial, talvez fosse expectável encontrar uma mulher amargurada, com poucos motivos para prosseguir inteira, mas somos surpreendidos por uma personalidade resiliente, que se recusa a abdicar da felicidade, embora tenha as suas nuances sombrias. E é esta força que a torna tão inspiradora.

«Os casais que nunca gritam, que nunca se zangam, que são indiferentes 

um ao outro vivem por vezes a maior violência de todas»

O enredo está mesmo muito bem construído e não é só a protagonista Violette que merece destaque. Aliás, as personagens secundárias partilham o mesmo nível de qualidade e interesse. Não me importaria nada de conviver com elas, fazendo parte desta atmosfera tocante, hilariante, que se cola à nossa pele para sempre.

«Tudo nele era bondade, tudo e mim era destroço. Estava em ruínas»

A Breve Vida das Flores é um retrato belíssimo sobre o quanto a luz nos pode envolver, ainda que seja maior a escuridão. É uma história sobre renascer no meio do caos, apesar de a tristeza se apoderar de nós, nas mais diversas situações. Feito de pessoas e de simplicidade, há um traço de superação que nos apaixona.

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