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Provavelmente já todos vivemos aquele momento em que, depois de terminarmos um bom livro, pensamos em como se poderia transformar num muito bom filme.

Já aqui escrevi sobre a diferença entre ler o livro e ver o filme. O livro é em 99% dos casos melhor do que o filme. O filme poder ser muito bom, mas nunca é o livro.

Nesta linha de raciocínio, um dia destes dias dei por mim a fazer o raciocínio inverso, ou seja, depois de ver um muito bom filme, ou série, pensar o quão bom seria o livro que lhe poderia ter estado na origem, nos casos em que o livro propriamente dito não existe.

Trocado por miúdos: Imaginemos, por exemplo, um filme que gostei bastante, mas que certamente enquanto livro poderia ser sido de arrasar “Beleza Colateral”. Digo isto porque o existe toda uma camada de sentimentos, de duplas realidades, de fantasias, que enquanto história contada poderia ter tido toda uma complexidade que a imagem não permite.

Outro exemplo, embora mais complexo, é a série americana “This Is Us”. O brilhantismo do argumento leva a pensar que se inspirado num livro este teria de ser brutal (pelo menos para mim). A crueza e a “normalidade” da série, e dos personagens, dão-lhe uma profundidade extraordinária e leva-me a pensar que se alguém tivesse escrito o livro teria todas as condições para um bestseller de grande qualidade.

Sei que sou suspeito porque prefiro sempre o livro à imagem, desde logo porque o livro deixa-me margem para criar as imagens na minha cabeça. Não o faço com muita frequência porque não vejo muita coisa que o justifique, mas nos casos em que isso acontece fico com imensa curiosidade a pensar como seria.