Amar é ver estrelas sem ver céu,
pisar no etéreo véu das mil quimeras,
sentindo a luz d’eternas primaveras
ser prisioneiro, sem ter sido réu.
É cavalgar no lombo d’um corcel
no chão das ilusões. Sentir, deveras,
a força da poesia d’outras eras
na voz do medievo menestrel...
Viver sentindo n’alma o mundo inteiro,
ser barco em alto mar, sem ter barqueiro
e mergulhar no mar, sem peias, medos.
Planar feito uma garça pantaneira,
deixar-se ir ao léu, sem eira ou beira,
pisando as finas farpas dos penedos.
AMAR
poesia, amor, literatura lírica
Texto originalmente publicado em POESIA RETRÔ
