Tudo começou em Janeiro de 1Q84. Eram dias e noites estranhos, noites com duas luas no céus enquanto no dia brilhava apenas um Meio-sol Amarelo. Descobri que não sabia bem onde estava, o mundo era uma espécie de Roda e subitamente era como se não tivesse ainda vivido uma vida e tudo eram Primeiras Coisas. Não tive outra hipótese senão ficar no Hotel Memória onde à janela me perguntava afinal Que importa a fúria do mar Quando o Cuco Chama?
Ainda tentava perceber o que me tinha acontecido quando, numa comunidade de leitores, conheci uma Americanah que no meio da mais estranha conversa da minha vida me contou a história d'A segunda morte de Ana Karénina.
O retorno à minha realidade era cada vez mais improvável, estava já a desesperar quando O feiticeiro e a Sombra que sempre o acompanhava me aconselharam a ir assistir à peça de teatro A instalação do medo que estava em cena n' Os túmulos de Atuan. Para lá chegar segui A viagem do Elefante, um bicho estranho e enorme que só se alimentava a Bifes mal passados mas que tinha o mapa do tesouro, que é como quem diz, GPS para me conduzir ao destino. Não era só eu nesta vigem. Ali conheci gente diferente e interessante. Imagem lá que até fiquei a saber a A história de uma serva famosa num outro universo. Em boa hora aceitei o conselho de ir a Atuan porque quando lá cheguei encontrei O meu irmão à espera para me ajudar a regressar e finalmente fiquei a conhecer o caminho para me levar a Galveias, ao meu mundo, a casa. Não voltarei para A cidade do medo, nem retornarei às aventuras naquele mundo de duas luas e um meio-sol, prefiro ficar aqui, em casa, neste tempo sem surpresas, neste tempo morto. Mas com a certeza que O tempo morto é um bom lugar.