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| Fotografia da minha autoria |
Gatilhos: Querermos ser amigos de um ladrão
Um guia orientador para compreendermos como os outros funcionam ou como é que nos devemos comportar, de um modo geral, poderia ser a solução para várias complicações. Pelo menos, não erraríamos tanto ou conseguiríamos priorizar as partes certas. Neste livro, o Nuno Markl pretende levar-nos para esse debate.
reescrever a sua vida
Manual de Instruções transporta-nos para a vida de Alberto, que escreve manuais de instruções para eletrodomésticos. É o melhor na área dele e isso deixa-o orgulhoso. O problema é que, por viver tão centrado nas suas obrigações, o seu casamento sofre com isso e ele não está certo que consiga resistir. O que poderá fazer de diferente?
A premissa é excelente e adoro que parta de temas tão importantes, como o facto de a relação intensa com o trabalho poder afetar a dinâmica familiar ou, ainda, como as divisões de tarefas continuam desproporcionais para o casal, e lhes acrescente camadas cómicas e não menos caricatas. Aliás, é durante esta fase conturbada da vida do protagonista que o mesmo se cruza com Jaime, um assaltante de casas, que rapidamente escalou para a minha lista de personagens favoritas, até porque é responsável pelas cenas mais extraordinárias de toda a obra. Queria ser amiga dele.
«Quer dizer... Não é bem o fim. Ela diz aqui "Isto não é um divórcio, ainda". E diz aqui que não lhe quer ficar com os garotos. Ela está a deixar uma porta entreaberta»
No entanto, chegou a um ponto em que senti que a história se perdeu do rumo inicial, distanciando-nos das verdadeiras inquietações de Alberto. Foi como se continuasse a desenvolver pensamentos soltos e não existisse a preocupação de explorar o problema que é; foi como se o objetivo fosse apenas reunir um conjunto de situações engraçadas e não tanto assumir o compromisso. A ideia de escrever um manual de instruções para ser a sua melhor versão é surreal e resulta por isso, mas talvez não necessitasse de tantos subterfúgios para criar conflito. Por esse motivo, gostava que algumas situações fossem mais desenvolvidas e que existisse um equilíbrio maior entre cenas.
É uma leitura leve e divertida, cuja voz do Nuno Markl é reconhecível em várias passagens, mas, no final, não me acrescentou muito, porque me faltou consistência.
Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand
