Fotografia da minha autoria

«A vida é mais que um sopro»

O aconchego que alguns artistas nos proporcionam tem um toque a abraço apertado. E eu gosto mesmo dessa sensação próxima, que tem o dom de confortar vários momentos da nossa trajetória. Por isso, senti uma ligação imediato com Valter Lobo, cuja sonoridade e dialeto impulsionam uma paz de espírito extraordinária.

Mediterrâneo foi o seu último lançamento, transportando-nos para 2016. E, desde então, tenho alternado entre este álbum e o EP Inverno, acalentando uma certeza: o seu talento merecia um palco maior. Porque tem uma sensibilidade e uma atenção ao detalhe que nos representam, sobretudo, por cantar inquietações, amores e desejos que todos nós já vivenciamos. Com uma voz serena, canta-nos histórias que nos falam ao coração.

A ânsia de escutar um novo trabalho de originais era, portanto, imensa. Por isso, foi em êxtase que recebi a notícia acerca do Primeira Parte de Um Assalto. Sendo, como o próprio refere, um disco «ultrapessoal, que [o] expõe e revela o que [foi] sentindo e pensando», somos convidados para este lado mais intimista, que quase nos permite conhecer a sua alma. E que privilégio é poder escutar algo tão delicado, honesto e poderoso.

Emocionalmente intenso, os seus temas dividem-se entre a esperança e a automatização da sociedade, visto que se concentrou neste novo normal, que tanto nos fez repensar o comportamento humano. Por esse motivo, sentiu necessidade de deixar a generalização em segundo plano e de partir para contextos mais concretos.

Primeira Parte de Um Assalto expõe o conformismo, as crenças e a insistência naquilo que já não é benéfico. Por oposição, é a empatia das letras que nos motiva a libertar as amarras, para renascermos «e construirmos um lugar melhor». Este álbum é, assim, uma viagem. E a metamorfose para regressarmos às nossas origens.

 As três favoritas 

🎧 O Que o Sol Guardou;

🎧 Para T.;

🎧 Desencanto.