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| Fotografia da minha autoria |
«(...) o que lhe valia eram os restaurantes e o amor»
Avisos de Conteúdo: Linguagem Explícita
As minhas quartas-feiras começam, verdadeiramente, com o Livra-te, podcast da Rita da Nova e da Joana da Silva. Para celebrarem o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, responderam ao Desafio 54321, em que um dos tópicos consistia em enumerar autores cujos livros compramos assim que saem. Sem hesitação, identifiquei Miguel Esteves Cardoso como um dos meus e a cada novo exemplar corroboro o motivo de o ser.
A ATUALIDADE, HOJE, ESCRITA HÁ 30 ANOS
Independente Demente compila as crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o semanário O Independente, que nunca foram publicadas em livro. Com prefácio de Paulo Portas, recuamos no tempo, para descobrir o seu parecer sobre os mais diversos assuntos, desde os mais banais aos mais fraturantes, numa coexistência equilibrada, como o autor tão bem sabe fazer para nos manter num profundo estado de interesse.
«O problema da comunicação em Portugal — e isto aplica-se tanto a jornais como a romances —
resolver-se-á quando os portugueses perceberem que, no fundo, no fundo, não há mal nenhum em comunicar»
É ingrato escrever sobre obras dentro deste género, porque parece que revelamos em demasia, por isso, prefiro focar-me mais na escrita. E, tal como ficou registado, o escritor «inventou uma subespécie de crónicas, nas quais o humor e a autoironia são elementos estruturantes da reflexão pessoal, social e política, sem que isso diminua o alcance e a eficácia do comentário e da sátira». Há pontes que nos aproximam dos seus pensamentos, há vínculos que se tornam inevitáveis, mas, por mais que o MEC não se esforce demasiado para parecer culto, mantendo uma escrita acessível, os seus apontamentos revestem-se de várias referências.
«Portugal torna-se muito mais interessante (e mais português) quanto mais misturado e variado for»
Vencedor do Grande Prémio de Crónicas e Dispersos Literários, este livro permite-nos entrar num debate - silencioso, bem sei, pois não estabelecemos um diálogo. Ainda assim, cada um dos seus textos leva-nos numa viagem intemporal, mordaz e com alguma comoção, porque, nestas páginas, há espaço para tudo, nada é descabido. Mesmo quando não concordamos com as perspetivas do autor ou não nos identificamos com o objeto de análise, é fascinante perceber como se desenvolve o seu pensamento e quais as suas ramificações.
«Como é que podemos comemorar Descobrimentos quando todos os dias se descobrem timorenses mortos?»
Independente Demente pode ser descoberto devagar ou num ápice, diariamente ou de um modo espaçado, o certo é que tem o mundo lá dentro. Retratando o nossa portugalidade e o que o ser humano tem de melhor e de pior, compreendemos que existem assuntos que permanecem tão atuais como há mais de 30 anos.
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