04
Abr25
Maria do Rosário Pedreira
Nos últimos tempos, tivemos notícias de várias mortes no sector da cultura, entre as quais a de dois editores: Luís Oliveira, a cabeça à frente da Antígona: Editores Refractários (e este ano, não por acaso, li bastantes livros desta chancela); e Francisco Guedes, que seleccionava os títulos de poesia da colecção 12!catorze para a editora Húmus, mas desde há mais de vinte anos estava ligado a projectos realmente fundadores e inesquecíveis como as Correntes d'Escritas (um festival de línguas ibéricas que começou pequenino, numa cidade de província, e chegou aos píncaros), o Festival de Sabrosa, em terras de Miguel Torga, o LeV, uma festa de literatura de viagens que, como ontem escrevi, vai ter a partir de amanhã mais uma edição (a maior de todas, segundo ouço) e muito mais coisas, porque o Francisco não podia estar parado. Vou ter saudades da irreverência de Luís de Oliveira se a Antígona mudar de caminho ou desaparecer, mas nunca o conheci pessoalmente, pelo que sentirei mais a falta do querido Chico, do seu abraço grande, do seu sobretudo axadrezado que eu adorava, da sua gentileza e até de alguns relatos sobre a guerra colonial, por onde andou antes de eu o conhecer, mas que me fez um dia na Póvoa de Varzim depois de um stressado de guerra ter tido uma crise na sequência da leitura de um poema sobre o assunto. Só espero que, lá onde estiverem, velem por nós e nos mandem boas ideias como as que toda a vida tiveram.