Este livro tem uma premissa muito interessante. «James» faz uma reinvenção das histórias de Mark Twain, como Huckleberry Finn e Tom Sawyer contadas a partir do ponto de vista do escravo, Jim.
Quando Jim descobre que vai ser vendido para alguém em Nova Orleães e que vai ter de abandonar a mulher e a filha, decide fugir para uma ilha para tecer um plano. Quer arranjar alguém branco e dinheiro para poder comprar a mulher e a filha e, juntos, fugirem. Só não conta encontrar Huck, que fingiu a sua própria morte para fugir de um pai que passa a vida a bater-lhe.
Juntos, vão viver inúmeras peripécias e, como a história é contada do ponto de vista de Jim, ficamos a conhecê-lo além do escravo das histórias de Mark Twain.
Vida de escravo é esperar, esperar e à espera de esperar um pouco mais. À espera de recados. À espera de comida. À espera do fim dos tempos.
(...)
Tinha-os lido em segredo, mas, desta vez, no delírio da febre, podia ler sem medo de ser apanhado. Sempre que lá entrava às escondidas, punha-me a pensar no que é que os brancos fariam a um escravo que aprendera a ler. O que fariam a um escravo que ensinara os outros a ler? O que fariam a um escravo que sabia o que era uma hipotenusa, entendia o significado de ironia, soletrava a palavra retribuição?
(...)
- Os brancos veem-nos a trabalhar e esquecem-se do tempo que passamos com os nossos pensamentos. A trabalhar e a esperar.
Sorri
- Se eles soubessem como isso é perigoso.
Eu adorei este livro. Além da história ser original, lê-se muito bem e acho que tem tudo para se tornar um futuro clássico.
Já leram? Digam-me nos comentários!
