
Durante muito tempo para mim José Saramago foi sinónimo de “Memorial do Convento”, livro que eu nunca li na totalidade, mas que nessa altura consegui detestar.
Muitos anos mais tarde, e depois de grande insistência de uma colega de trabalho, e mesmo com muitas reticências, lá acedi a ler o “Ensaio Sobre a Cegueira”. Foi das primeiras vezes que li um livro porque alguém me recomendou, achava que porque alguém gostou isso não quer dizer que eu também vá gostar.
Aquilo que aconteceu foi a passagem de um nunca mais, detesto, não volto a ler para um brilhante, soberbo, este senhor é mesmo muito bom.
O “Ensaio sobre a Cegueira” entrou (e ainda está) no top dos meus livros favoritos. É efetivamente um livro brilhante e poderoso. Uma obra que marca quem a lê.
Uma das formas de uma pessoa saber o quanto gostou de um livro é perceber que, vários anos depois, lembra-se perfeitamente da história e facilmente consegue revisitar parte dos livros com grande detalhe. Isso acontece-me com este livro.
Alguns anos depois vi também o filme, e, como acontece em todos os grandes livros, o filme, não estando à altura, retrata bem o tema. A curiosidade maior são as passagens mais fortes do livro que em palavras são muito mais fortes do que em imagens, algo que não deixa de ser curioso.
Depois desde li outros livros de Saramago. De todos o que mais se aproxima em qualidade do “Ensaio sobre a Cegueira” é, na minha opinião, “As Intermitências da Morte”, livro que também vale muito a pena ler.
Em resumo. Gostando-se ou não de Saramago, o “Ensaio sobre a Cegueira é um livro obrigatório. E eu aposto as minhas fichas em como não desilude ninguém.