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| Fotografia da minha autoria |
«Quanto mais bonito é o espetáculo,
maior é a confusão atrás dos bastidores»
A criação de conteúdo é fascinante. Quando a publicação conquista o seu espaço digital, alcançamos a etapa final do processo - excluindo a divulgação nas redes sociais. Porém, até chegarmos a esse momento, precisamos de ajustar vários passos. Por isso é que me faz confusão quando desvalorizam o compromisso que assumimos com todo o cuidado. Porque é desafiante e, até, desgastante. No fim, para mim, compensa sempre, mas não basta estalar os dedos, como muitos parecem acreditar.
Os blogues são uma plataforma resiliente, potenciando inúmeros benefícios. Mas continuam a ser alvo de um certo preconceito, como se não tivessem credibilidade. Além disso, persiste a ideia de que é só escrever meia dúzia de pensamentos, selecionar uma imagem apelativa e está pronto a partilhar. De uma maneira bastante simplista, traduz alguma verdade, mas a exigência é mais complexa. Claro que, depois, dependerá sempre do nosso objetivo, contudo, por mais que seja um passatempo, é algo que nos implica e que requererá disponibilidade.
É por esse motivo que evidencio o seu caráter trabalhoso. E, reparem, eu sei que esse trabalho é fruto da minha vontade, pois dedico-me nesse sentido. Portanto, não é uma queixa, é, sim, a constatação de um facto. Em simultâneo, compreendo que há aspetos que nos escapam, sobretudo, quando não fazemos parte de uma determinada realidade. Para evitar esse desconhecimento, considero pertinente conversarmos sobre o que nos apaixona, permitindo estabelecer uma ponte de transparência.
A blogosfera é a minha casa. E os bastidores têm muitas camadas, que podem ser uma autêntica personificação de caos. Mas, sabem, são o impulso que torna esta aventura tão especial e feita à nossa medida.
_______ OS BASTIDORES DO BLOGUE _______
BANCO DE IDEIAS
O meu primeiro passo é anotar as ideias que vão surgindo, independentemente da altura em que as utilizarei no blogue. Porque o importante é ter esse registo intemporal. Assim, posso ir brincando com o conteúdo que pretendo explorar e garantir, na mesma medida, que tenho margem de manobra suficiente, sem perder aquilo em que pensei.
CALENDÁRIO EDITORIAL
Na última semana de cada mês, crio o mapa mensal seguinte, pois ajuda-me a ter uma representação bastante clara do que me espera. Após construir a estrutura, agrupo, nas respetivas datas, as rubricas fixas - Entrelinhas, M de, Jukebox e Moleskine. De seguida, distribuo as publicações dos clubes de leitura - Uma Dúzia de Livros e The Bibliophile Club. Uma vez que estou a participar no projeto de escrita da Sofia, reservo os temas no calendário. Observando os espaços em branco, penso em que altura quero que saia o texto do Storyteller Dice. E, por fim, distribuo os restantes tópicos em lista de espera.
Mas, atenção, nada nesta organização é inflexível. Aliás, é muito difícil manter a ordem inicial de publicações, atendendo a que há conteúdos que vou repensando, dependendo da minha disponibilidade para os trabalhar e daquilo que me faz mais sentido abordar em cada semana.
A parte maravilhosa de ter o banco de ideias é que nenhum assunto é esquecido e descartado, podendo retomá-lo quando for mais indicado.
CRIAR CONTEÚDO
O fim de semana é a altura ideal para me dedicar à escrita, porque estou mais livre e descansada. Logo, reservo as noites de sábado e domingo para o efeito. Como produzo o texto à mão, porque a minha criatividade necessita desse estímulo, faço-o pela seguinte ordem:
1. Listar as publicações;
2. Distribui-las pelos dias da semana;
3. Escrevê-las pelo tema que me desperta mais inspiração. O aconselhado seria trabalhá-las pela ordem em que serão publicadas, mas não me faz sentido insistir na escrita de um assunto, só porque sairá primeiro. Se já tiver um pensamento muito mais estruturado para outro tema, é por esse que começo. É desta maneira que não comprometo a minha produtividade, porque respeito a minha vontade e o meu ritmo.
Para ser mais simples, tenho tudo organizado numa capa, que vou consultando à medida que precisar de transcrever e agendar conteúdo.
FOTOGRAFIA E EDIÇÃO
À semelhança das publicações, faço uma lista das fotografias que irei precisar. E, neste ponto, tenho dois caminhos que posso considerar:
1. Verificar se consigo aproveitar alguma das que tenho nos álbuns de férias/passeios, uma vez que há fragmentos que se adequam ao contexto;
2. Criar as fotografias de raiz, anotando os elementos a incluir.
Por norma, reservo a manhã de domingo para esta tarefa, mas ajusto consoante a minha predisposição e as próprias condições meteorológicas [porque fotografo com luz natural]. Assim que termino de fotografar, seleciono as imagens que me interessam e dedico-me à sua edição - uma coisa muito simples, já que não sou a maior entendida no assunto.
Tudo preparado, guardo as fotografias numa pasta, no computador.
AS PUBLICAÇÕES
Agendo cada publicação no dia anterior. E o processo é simples:
1. Escrever todo o texto no blogger;
2. Tratar da formatação;
3. Ler e reler as vezes que forem necessárias, para me certificar que aquele é o resultado que pretendo e para garantir que a mensagem não tem erros [e, mesmo assim, há sempre algo que passa despercebido].
Uma particularidade é que a leitura é feita em voz alta, pois acredito que ajuda bastante a ter uma perceção melhor do que escrevemos, da cadência e daquilo que pode ser melhorado e/ou substituído. Porque é importante retirarmos o ruído que não acrescenta valor à escrita.
DIVULGAÇÃO
Depois de a publicação ficar disponível, divulgo-a em três redes sociais: Facebook [pessoal e blogue], Twitter e Instagram [pessoal e blogue]. A conta de Instagram do blogue é onde faço uma articulação maior com esta plataforma, porque partilho recursos construídos no Canva, a imagem do conteúdo do dia e uma parte do respetivo texto.
INTERAÇÃO
Escrever é o que mais me entusiasma. Contudo, o meu dia blogosférico só termina quando visito os blogues que acompanho. Para tal, vou à lista de leitura do blogger e recomeço onde parei. Além disso, também tenho blogues guardados nos favoritos e confiro sempre se publicaram.
Sinto que é nesta troca que crescemos, por isso, procuro não negligenciar a parte da interação. Para além de ler o que escreveram, deixo sempre um comentário, pois é a minha maneira de valorizar o trabalho desenvolvido [e aprendo imenso]. Tenho esta dinâmica diariamente, mas, caso não me seja possível, compenso no dia seguinte.
Por último, respondo aos comentários que deixaram na minha publicação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando toda a informação, parece um compromisso intenso, mas a verdade é que se torna orgânico, quando encontramos o nosso método. Este é o meu. E é apenas um no meio de tantos outros válidos. Porque, acima de tudo, o segredo é encontrarmos a nossa voz diferenciadora. Divertirmo-nos. E deixarmos a imaginação voar para lá do horizonte.
