"A Conspiração do Rei" é um romance histórico que narra o final da Ordem dos Templários, condenados à morte por Filipe, o Belo, a 13 de outubro de 1307 e a coragem do Rei D. Dinis em salvar a grande e gloriosa ordem de cavaleiros, criando a Ordem de Cristo. Mas esta nova faceta, guarda em si uma história de valentia e de segredos bem escondidos. Num magnífico texto, criado numa estrutura simples em que os capítulos curtos criam o ritmo da própria narrativa, Emílio Miranda conta o caminho agreste de um grupo de cavaleiros que transportam consigo um segredo e em que cada um faz o seu caminho de forma solitária (mesmo que acompanhado) mas sem saber do destino e do percurso dos outros. Mas é daqueles livros que tem de se ler para compreender.

O Rei D. Dinis veste-lhes uma nova roupagem e consolida os alicerces daquela que viria a ser uma interveniente decisiva nos descobrimentos portugueses. À Ordem de Cristo é atribuído um novo Castelo, em Castro Marim, onde sete séculos mais tarde, um jovem arqueólogo de nome Júlio Pomar, acaba a viver uma aventura inusitada embrenhando-se na história dos próprios cavaleiros-monge. Num outro blog, eu conto um pouco da história de D. Dinis e do seu reinado, falando em alguns dos temas que aqui são abordados também neste livro Convido-vos a espreitar: https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/tumulo-do-rei-d-dinis-um-pouco-da-191598.

No romance de Emílio Miranda, que está dividido em três partes, há passagens fascinantes em que o autor tem a capacidade de nos levar através das suas descrições aos locais e a ver aquilo que afinal não existe. Será que afinal, ainda existe o precioso tesouro atribuído aos Templários? Será que alguma vez esse tesouro existiu? E se sim, onde está? E guardado afinal por quem? Nos nossos dias, sete séculos volvidos, ainda existem Guardiões e ainda têm um papel marcante na nossa sociedade, porquanto ainda existam também aqueles que continuam a querer destruir a imagem dos Cavaleiros. Um livro que, entrelinhas, nos explica se o quisermos perceber, a história por detrás da história que vem nos livros da escola. 

Este livro veio para mim no momento certo, no momento em que finalmente descobri que sempre foi a História que me tem fascinado e que a minha escrita e as minhas leituras sempre me têm levado nesse caminho. 

Emílio Miranda nasceu em Luanda, Angola, em 1966. Em 1975, fruto da guerra colonial, vem viver para o Norte de Portugal, de onde os pais são originários, mais concretamente para a - então - aldeia de Lordelo - atualmente vila -, próxima de Vila Real, onde mais tarde passou a residir. É o contacto com esta nova realidade - de espaços abertos no verão e horizontes fechados nos longos invernos - que definitivamente o vai marcar. Uma realidade na qual conviveu com costumes tão surpreendentes como a matança do porco, a vindima e a pisa do vinho, com a agricultura regida por preceitos tradicionais e com essa mistura mágica das práticas religiosas com as pagãs que também cinzelou esse território.

A conspiração do rei / Emílio Miranda. - 1ª ed. - LisboaMarcador, 2017.