Caminhei por escuras e duras selvas dessa vida
E mesmo ao lado da morte a sorte, ó querida
Nunca me deixou ou mudou meu sorriso.
Cavalguei por florestas e estas feridas
Que tua mão de paixão me deixou, ó querida
Ainda vertem sangue, sem langue ou dor.
São tuas mãos que minha mente somente elucida
E não coisa mais; o demais, ó querida
Para mim não importa, o que importa és tu.
E andei, pelas ruas e luas da noite dormida
Vi medos e segredos, então, ó querida
Jamais eu fraquejei na tua busca eterna.
Caminhei por becos tão secos de vida
E não pude esquecer teu poder, ó querida
E 'inda ando na busca de te encontrar.
Cedos ledos alvores e dores da vida
Ainda estou passando, e cantando ó querida
Vou caminhando e amando sua sombra.
Comentário: Ghazal é uma espécie de poema lírico ligeiro, de origem persa, culminando do século 700 até o século 1700, mais ou menos, costuma ser para canto. Sua estrutura baseia-se em três ou mais estrofea, sendo que o primeiro dístico tem a mesma rima, no segundo verso do dístico há, no final, uma ou mais palavras servindo de refrão para os próximos.
Ghazal II
poesia, ghazal, literatura, poemas autorais
Texto originalmente publicado em POESIA RETRÔ
