Com o sub título "Em busca da Justiça", este é um livro onde se conjuga a vontade de mostrar a verdade sobre aquilo que se passou em Dauchau. Timothy W. Ryback, descreve aqui a forma como o procurador-adjunto Josef Hartinger lidou com as mortes ocorridas no Campo de Concentração de Dauchau. A 13 de abril de 1933, Hartinger entra pela primeira vez no Campo, devido à morte de quatro homens. Estes foram os primeiros quatro jovens judeus inocentes brutalizados e assassinados no campo de concentração de Dachau, a poucos quilómetros de Munique, desde que Himmler anunciara a sua abertura, apenas três semanas antes. Colocando-se a si mesmo em risco, tentou procurar a justiça e a verdade.
Flamm, o médico-legista destacado, acompanha-o nesta primeira visita e ambos ficam impressionados com o que encontram, apercebendo-se desde logo que "se passava algo de terrivelmente errado". Além destas primeiras quatro mortes, alegadamente alvejados a tiro devido a uma "tentativa de fuga" que não se comprovou, o livro relata-nos diversas outras situações de "falsos suicídios", agressões bárbaras, espancamentos, até ao limite a que se chegaria mais tarde, as mortes nas câmaras de gás.
Para mim foi um livro que li, sublinhei e anotei, porque senti que tinha em mãos um relato fidedígno daquilo que se passou em Dauchau. As descrições das agressões, foram a parte mais difícil de ler, mas foram de extrema importância pois colocam em destaque aquilo que se estava a passar e que ninguém "quis" ver na época. Ainda hoje, há quem esteja cético em relação a muitas destas histórias. Timothy W. Ryback baseou-se em relatos de vítimas e dos seus descendentes, em diários, memórias publicadas e em documentos históricos, mas a sua principal fonte, encontrou-a em duas cartas escritas pelo próprio Hartinger a 6 de janeiro e a 11 de fevereiro de 1984.
Os saltos históricos que por vezes encontramos, revelam alguma necessidade de ir explicando os factos à luz do contexto histórico e político, que antecedeu e de alguma forma permitiu, que Hitler conseguisse chegar ao poder.