Há uns tempos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fez sucesso com um discurso escrito pelo próprio sobre o período histórico que vivemos actualmente e que anuncia claramente o fim de um tempo de que teremos saudades. (Deixo-vos o link com a tradução publicada no Expresso, caso vos interesse lê-lo na íntegra, no fim do post). Mark Carney era até recentemente um político a que se calhar não se prestava grande atenção, e passou a prestar-se por causa das palavras. Ora, em termos literários, também ninguém anda especialmente à caça de escritores canadianos, provavemente não sabendo que muitos escritores premiados e bem-sucedidos não nasceram nos EUA, como pensam, mas no Canadá. Começaria logo pela autora de História de Uma Serva, a famosa Margaret Atwood, que ganhou o Booker Prize com o romance O Assassino Cego (o primeiro que li dela e me foi oferecido pelo José Luís Peixoto); mas posso falar-vos também de Alice Munro, que ganhou o Prémio Nobel da Literatura, e dos seus contos sublimes, às vezes mínimos; ou da enorme poetisa Anne Carson (que muitos dizem que deveria ter ganho o Nobel que foi dado a Louise Glück), ou do premiado com o Booker Prize Yann Martel (lembram-se do miúdo com o tigre dentro de um barco no romance chamado A Vida de Pi, de que se fez também um filme)? O autor de um dos meus romances de eleição, O Paciente Inglês, é também canadiano: Michael Ondaatje; e, no Canadá francês, temos o grande divulgador científico Hubert Reeves, com quem fiz a mais bela visita ao Jardim Botânico de Lisboa e subi ao Padrão dos Descobrimentos, a seu pedido. Além destes, claro, nunca esqueceremos o maravilhoso poeta das canções, Leonard Cohen. E há mais, entretenham-se a pesquisá-los, e a lê-los.