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Jun24
Maria do Rosário Pedreira
Talvez uma parte considerável das coisas que escrevi seja sobre o luto; e são-no decididamente os meus poemas preferidos, quase todos pertencentes ao livro O Canto do Vento nos Ciprestes. Tirando Paula, de Isabel Allende, que comecei há décadas e não consegui acabar, gosto geralmente de livros de outros autores sobre o assunto. Poderia enumerar muitíssimos textos que me agarraram desde a primeira página e que abordam a morte de alguém próximo: O Ano do Pensamento Mágico é um dos títulos mais emblemáticos, mas poderia perfeitamente falar também do pequenino livro sobre a morte do pai que escreveu a nigeriana Chimamanda, ou ainda de Luto, de Eduardo Halfon (parte de um projecto literário muito interessante, que combina ficção e memória), ou mesmo de uma ficção declarada, como Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer, na qual um miúdo tenta perceber o que estaria o pai a fazer nas Torres Gémeas quando elas se tornaram pó no 11 de Setembro para poder aceitar a sua morte. No festival em que estive na semana passada em Roterdão, fui especialmente tocada pelas leituras da poetisa norte-americana com ascendência taiwanesa Victoria Chang; parte dos textos que leu pertenciam a um livro chamado Obit (Óbito) que fala, entre outras, das mortes dos seus pais. Recomendo esta autora a quem, como eu, goste de ler sobre a morte e o luto. Pode parecer macabro mas não é.