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Gatilhos: Linguagem Explícita e Gráfica
O livro de estreia de Alice Winn chamou-me logo à atenção - pela capa e pela temática. Por esse motivo, quando soube que seria uma das escolhas do Clube do Livra-te, para março, não adiei o nosso encontro.
marcas de guerra
In Memoriam é descrito como uma história de amor entre dois soldados durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, começa quando esse cenário ainda se afigura distante dos protagonistas. Em 1914, com dezassete anos, Henry Gaunt e Sidney Ellwood moravam num colégio interno inglês, protegidos da realidade. E, além de serem amigos, partilhavam um segredo comum, embora não o soubessem: estavam ambos apaixonados um pelo outro. Nesta batalha interior, é quando se alistam no exército que ocorre o verdadeiro teste de fogo.
Demorei um pouco a entrar na história (acho que não comecei a leitura no dia mais apropriado), mas assim que me alinhei com a narrativa já não a queria largar, porque é daquelas que nos transformam, que se colam à nossa memória e nunca mais nos abandonam. Não só pela história em si, mas também pelos envolvidos e por levantar tantas questões sobre humanidade - ou falta dela -, empatia e sentimentos oprimidos, mas inegáveis.
Para além de credível, senti que o livro está muito bem equilibrado: tem passagens duras, angustiantes, que nos entristecem e nos revoltam, mas, depois, há sempre uma personagem a desconstruir o momento com alguma graça ou ironia mordaz. E por falar em personagens, achei a sua construção brilhante. Aqui, não foram só os protagonistas que sobressaíram, existem personagens secundárias que dificilmente esquecerei.
«- Isto tudo ainda não te tirou o gosto pela poesia? - perguntou-lhe Gaunt.
Ellwood franziu o sobrolho.
- Preciso dela agora mais do que nunca»
Por outro lado, adorei o vínculo à poesia, os diálogos desarmantes e todas as reflexões sobre as marcas que a guerra deixa: há uma infinidade de coisas que se perdem, mesmo quando se alcança o que se deseja. E, por tudo isto, houve ocasiões em que sustive a respiração e, inclusive, comovi-me, até porque os detalhes são pensados com o máximo cuidado, transportando-nos para os distintos cenários e estados de espírito.
In Memoriam é feito de uma beleza e sensibilidade ímpares. No meio de toda a tragédia e de todo o caos, parece utópico, mas é possível resgatar sinais de esperança - com tempo e com paciência. Que obra de arte!
🎧 Música para acompanhar: All I Ask, Adele
Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand
