07
Jul25
Maria do Rosário Pedreira
Conheci Aixa de la Cruz por uma entrevista que li no El País e gostei tanto do que ela disse que comprei dois livros seus: As Herdeiras, um romance que tem que ver com a história de quatro mulheres que herdam a casa de uma avó que se suicidou já com bastante idade; e um texto mais confessional e completamente desabrido, mesmo especial, chamado Mudar de Ideias, que é um relato viciante que marca a transição da juventude para a maturidade. Prestes a completar trinta anos, Aixa de la Cruz aborda alguns dos momentos mais significativos da sua vida, desde o dia em que uma das suas melhores amigas quase morreu num acidente de viação até ao seu próprio divórcio, passando pela ressaca de escrever uma tese de doutoramento e pelos seus relacionamentos sexuais com homens e mulheres; com um ritmo incrível, é um relato desassombrado que começa na infância sem «pai biológico» e vai até à sua descoberta do feminismo, em que se confronta com casos polémicos de violência contra as mulheres. Mudar de Ideias é percorrido por uma escrita hipnótica que transmite reflexões acutilantes sobre vários temas de importância social num estilo combativo, que posiciona Aixa de la Cruz não só como uma das melhores escritoras da sua geração, mas também – e acima de tudo – como uma pensadora absolutamente brilhante. A obra venceu o Prémio Euskadi de Literatura em Castelhano, o Prémio Librotea Tapado e foi finalista do Prémio Dulce Chacón. A impensa espanhola considerou esta peça literária ao nível do emblemático Teoria King Kong e eu recomendo-a sem qualquer hesitação para um serão e meio (é um livro breve).
