Fotografia da minha autoria

«A verdadeira base da vida está nas relações humanas»

As relações tremem, porém, não cedem. São como aqueles edifícios que, num movimento violento, oscilam ligeiramente, aguentando o embalo quase sem danos. A fachada até pode ruir, mas a estrutura é de ferro - mesmo sem o ser. E no meio do caos, quando já só somos escombros, há uma réstia de esperança assim que, por baixo dos telhados de vidro, observamos o céu aberto em todo o seu esplendor azul.

Saímos à rua, para respirar fundo, e as portadas mantêm-nos de pé. São andares em decomposição externa, que permanecem inteiros. A paredes meias. Talvez eu veja luz em tudo, mas enquanto as varandas aguentarem vasos cobertos de flores e de sonhos, resistindo à degradação dos dias, sei que estaremos a pisar solo seguro. E à prova de bala. Porque existem relações que não quebram, ainda que estejam apenas presas por um fio de estendal. Não deixam de sofrer abalos, mas reerguem-se. Sacodem a poeira e renascem: da terra, das cinzas, da amargura. Pois são feitas de um tecido mágico, fabricado de promessas inquebráveis.

Nesta intermitência emocional, o meu Porto será sempre a história que melhor me conhece. E o palco de um amor intemporal. Sem resguardo para amparar a queda. Pela confiança cega. E porque teremos sempre uma linha de elétrico a prolongar o nosso voo!