«Cai poeira lá fora

Levanta e enrola

E os castelos no ar

Pesam sem assentar

Nos degraus do passado

Em escamas deitado

Há fogo sem chama

Ao secar, derrama

Vai crescendo sem lá estar

Estou a um passo de apagar

O real da ilusão

[...]

Novo grito de fundo

Conversa no escuro

A paz é a luta

Sem a disputa

[...]

Tenho de enjaular a memória

Sem me perder na história

Sem me morrer nas mãos

O passado já não passa

Sem que o tempo o refaça

Sem me torcer em vão

Quando queima só dissolve

Na sombra em que o envolve

E vai roendo a razão

Faço por fechar a porta

Sem me morder a alma

Sem me tornar prisão»