Foi um livro muito falado nos grupos de leitores e a minha opinião é só uma: têm de ler se querem conhecer o trabalho de Diane Chamberlain.
Um livro que nos surpreende desde a primeira, até à última página. Só não gostei que acabasse, porque depois de tantas reviravoltas, termina muito rápido e parece que ficam no ar muitas pontas soltas por resolver e várias questões por ver respondidas.
A capa e o título, que no fundo me levaram a pensar que se iria tratar de uma história contada na priemira pessoa, algures sobre uma troca de bebés, suaviza apenas a dura verdade por detrás dos tons suaves do nascimento. Noelle, era parteira na pacata cidade de Wilmington, na Carolina do Norte e, depois de se ter suicidado, levantam-se questões sobre os últimos anos da sua vida. Duas amigas, surpreendidas com a morte, agarram num pequeno fio da sua história e tudo muda quando começam a puxar. A verdade que estão quase a descobrir irá mudar as suas vidas para sempre e cada vez que avançam um passo na descoberta dos segredos, começam a ter a nocão do terrível emaranhado que tinha sido na verdade a vida de Noelle.
No fim, fica no ar a suspeita de que alguém do seu círculo saberia, pelo menos em parte, o que tinha acontecido na noite em que duas bebés tinham vindo ao mundo. Diane Chamberlain faz ressaltar neste romance dramático o papel da mulher e a força que todas têm no seu interior e que as faz dar a volta às situações mais dolorosas. Acaba assim por atribuir à figura masculina um papel secundário, como se em cada núcleo, o homem estivesse lá pelo seu papel de pai, mas na sombra da família ou até já a tendo deixado. Isto é o que parece à primeira vista, mas durante a continuação da leitura, pude perceber que talvez não tivesse sido essa a sua intenção e que cada uma das figuras masculinas e paternais da história estão, continuamente, numa luta também interior pelo retomar do seu papel como pai. À exceção de um dos núcleos principais, em que o pai tinha perdido a vida uns meses antes e aí é claramente a mãe que tem de lutar pela reconquista da relação com a filha adolescente.
Se quiséssemos perceber os sentimentos do livro, eu até diria que o arrependimento supera o amor, mas no fim é com o amor que se perdoa e, embora isso não fique expresso em palavras, fica nas entrelinhas que o perdão acaba por dar alguma paz àquelas famílias (o que para mim na vida real talvez não fosse assim tão simples).
Adorei e, se ainda não fizeram as vossas compras de natal, sugiro - como é claro - um livro. Este pode ser uma ótima opção!