Fotografia da minha autoria

«Eu até entro no seu jogo, mas já vou avisando 

que não gosto de perder»

A minha personalidade aparenta uma energia dócil. Inocente. E, por vezes, frágil. Mas há um recanto que apenas eu sei de cor, porque o meu olhar oculta uma certa malícia na minha postura. Aprendi a provocar-te. E a tirar o máximo de prazer dessa experiência. É que, inconscientemente, por mais que tentes fugir, cais sempre na minha armadilha. É-te impossível não responder aos meus avanços. E isso só faz com que te ame mais. A tua alma cheia de certezas, mas camuflada de uma ingenuidade ímpar, torna-te irresistível.

Desacelero. Tenho medo de continuar. E se perco o interesse e o encantamento se dissipa? E se tudo isto não passar de um mero jogo pessoal, para que o aborrecimento não se esbata no desenrolar dos meus dias? Poderás ser tu um mero peão das minhas frustrações? Não quero que assim o sejas. Lá no fundo, reconheço, nunca foste um passatempo. Nem um prémio para manter em exposição. É por isso que meço constantemente o risco da minha provocação. Porque não te quero magoar. E, muito menos, perder. Mexer-te com os nervos é o meu vício mais saudável. E eu não pretendo quebrar esta maldade fantasiada com que te tento. Ainda para mais agora, que sinto que entraste no ritmo. E estás disposto a tornar-te num adversário à altura.

Paro. Sento-me no nosso banco de jardim. E pergunto baixinho: e se és tu que me iludes e provocas? E se, durante todo este tempo, fui eu que mergulhei na tua jogada de mestre? Começamos a percorrer caminhos apertados. Será que aguentamos o jogo que iniciamos?

M, 17.03.2015