Tenho estado a fazer uma formação online, e têm sido vários os exercícios de escrita que me têm sido pedidos. O bom destas formações é que, além de colocarmos as nossas ideias no papel, percebemos também como funcionam alguns dos processos criativos. Nas últimas aulas, foi pedido que criássemos uma personagem e a caraterizássemos. Depois, dessa personagem nasceu uma estrutura com outras personagens, espaços, ações. Para mim, o processo normalmente funciona ao contrário. Começo a envolver as personagens nas ações e entre si, para só depois as caraterizar amíude. Para mim, certas "personagens" (pessoas) não iriam fazer determinadas ações e, se lhes der antecipadamente aspetos psicológicos (os físicos não me influenciam tanto) acabo por limitar as suas ações e reações. É estranho, não sei explicar, mas é isso que sinto.

Ontem, acabou por nascer o seguinte:

Mais um dia, mais uma manhã e Pedro sente-se preso. Tem 28 anos e sente que a rotina o prende e que a sua vida não etm sentido. Concluiu o curso com mérito mas não está, de todo, a tirar proveito da vida que tinha imaginado. A verdade, é que aquela empresa já lhe pareceu mais desafiante.

Sai de casa à pressa e quase tropeça no carteiro que, especado à sua porta, lhe pede que assine o registo de entrega de uma carta registada. Assina, à pressa, sem sequer olhar para o remetente e enfia a carta dentro da mala, misturando-a com outros papéis e documentos. 

O trânsito (...) um acidente na ponte mantém-no parado por desesperantes minutos. (...)

(Elsa Filipe, 26.09.2024)

O texto continua... mas não está bom para partilhar e sei que não interessa a ninguém o que se pasou com este personagem. Apenas deixo aqui uma pista. A carta traz uma notícia triste e irá levá-lo numa aventura. O destino será algures entre o Egipto, Israel e a Palestina... também pensei no Sudão, confesso, pois queria falar sobre guerra, sobre limites ultrapassados, mas apesar de ter estruturado uma ideia, ela ainda nem sequer faz sentido e talvez nunca venha a representar um verdadeiro texto. O mal, é que eu me ponho a fazer pesquisas.. sou muito mais de factos do que de criatividade. Se escrever algo, será mais um romance histórico ou uma história que tenha um fundo de verdade e de investigação. O que me limita num curso de escrita criativa...