Rui Araújo, jornalista e escritor,  tendo sido correspondente na RTP e integrou a equipa do programa Grande Reportagem. Na sua biografia, diz ainda ter sido o primeiro português a entrar em Timor depois da invasão. Colaborou também com as revistas Grande Reportagem (co-fundador, a revista deixa de ser publicada em dezembro de 2005), Visão, Nieman Reports (tendo sido o primeiro jornalista português admitido)e Marine's Mirror. Colabora agora com a TVI e com o jornal Le Point. É ainda o primeiro membro português ( desde 1997) do International Consortium of Investigative Journalists (nos EUA).

Perceber o seu grande percurso jornalistico, ajuda-me a entender a sua escrita. Direta, simples, sem grandes floreados. São os diálogos que nos levam pelos factos da narrativa. Do livro apenas não entendi a escolha do título. A história passa por um crime violento do qual resultou uma mulher baleada e um homem com um traumatismo craneano, o que começou desde logo a levantar dúvidas: violência doméstica, um assalto mal sucedido, um crime passional? O homem, Irlandês, marido ou amante? No local, as provas são observadas e é no decurso de cada procedimento que as próprias personagens (através do narrador que vai contando vários episódios vividos com e por cada uma delas) se vão dando a conhecer. Adorei a forma como ao mesmo tempo que o narrador nos leva de cenário em cenário, como diria, descrevendo cada "teatro de operações" de forma a nos sentirmos lá no local, vai também falando da sua vida pessoal, da forma como construiu as suas defesas, mas também dos seus medos, das suas falhas e dos seus desejos.

Confesso que para quem como eu já viveu nesse "mundo" (não através da perspetiva da PJ mas de uma outra perspetiva), a descrição dos cheiros do látex das luvas, dos sons metálicos das mensagens rádio, da gíria e do calão, me fizeram voltar a alguns locais de crime, de transportes de cadáveres, de muitas outras histórias que aqui poderia acrescentar. Foi uma surpresa este livro. Posso dizer que gostei e que irei procurar os outros romances policiais escritos pelo autor. Mais uma vez, a capa induz aqui em erro, não identificando este como um romance policial, mas apenas como "romance", ficando aqui a ressalva que não sou ninguém com conhecimentos na classificação dos romances, mas esta é apenas a minha opinião, sem críticas, apenas sugestiva de melhorias.