Feira do Livro de Lisboa: a experiência pandémica.


Desloquei-me somente duas vezes à Feira do Livro, tendo prescindido de grande parte de uma wishlist enorme (não é como se ficasse sem livros por ler até Junho de 2021, ou lá quando se venha a realizar a próxima feira) e pedido a terceiros a aquisição de alguns livros do dia, Hora H ou peças que me tinham escapado. Confesso que me mantive apreensiva até o final, não obstante o uso de máscaras e a limitação de pessoas no recinto: a verdade é que há muito boa gente que não sabe usar máscara, influencers que tiraram máscara para posar para fotos, e o facto de haver supostamente menos gente não significa que não esteja toda no mesmo sítio.

Vou começar por louvar a iniciativa da Tinta-da-China, bem como a da Livros Horizonte: a primeira disponibilizou, semanalmente, os seus livros do dia com o devido preço, online, sem cobrar portes, fazendo assim com que lisboetas que, como eu, não desejassem deslocar-se demasiadas vezes ou a quem não desse jeito - e, mais que isso, pessoas de todo o país! - pudessem aceder às promoções sem incorrer em grandes riscos. A segunda colocou um formulário online para encomenda de livros do seu catálogo a preço de feira (sendo que a LH é conhecida pelos seus preços efectivamente dignos de feira).

Acabei por aproveitar essa promoção da Tinta-da-China em dois momentos, para adquirir dois livros que estavam há muito na gigante wishlist (estando ambos a rondar os 10€, sendo ambos objecto de desejo e sabendo que é, regra geral, difícil arranjar melhor promoção nos livros desta editora, não foi uma decisão difícil): O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, e Racismo em Português, de Joana Gorjão-Henriques, que já pensara adquirir antes. Foi uma experiência muito positiva; o primeiro livro, em particular, chegou extremamente rápido, não obstante o alerta da editora para com os atrasos dos CTT.

A minha primeira deslocação à Feira do Livro foi no Domingo, dia 30, por motivo do histórico primeiro encontro presencial do #lerosclássicos. Comprei apenas Entre a raiz e a utopia, escritos de Natália Correia sobre António Sérgio, na Ponto de Fuga (editora emergente favorita). Infelizmente, a Poesia Erótica e Satírica foi lançada em Abril de 2019, estando rés-vés nos 18 meses, ou seja, com grande promoção impedida. Mas é uma aquisição para breve!! Vislumbrei a barraca dos descontinuados da Relógio d'Água, mas não tive vontade de ver o que por lá havia pelo factor "tocar nos livros". O que, para muita gente, é grande parte da experiência de Feira...

Voltei no dia 1 para a apresentação de Sinfonia dos Animais, a estreia do autor Dan Brown na literatura infantil. Confesso que nunca li Dan Brown antes, mas já sabem que estou sempre disposta para um novo livro infantil. Este promete desafios e enigmas, e estou à espera de uma tarde descansada para me debruçar sobre ele (após um fim de semana que se revelou mais caótico do que esperado). Por motivos sociais e de fome, ficámos para a Hora H e, na espera, além do clássico hamburguer em pão brioche, ataquei (embora com alguma falta de vontade e frequentes desinfecções às mãos) as caixas dos descontinuados da Relógio d'Água. Trouxe Na casa de Julho e Agosto, de Maria Gabriela Llansol, autora que quero lentamente continuar a ler.

Dediquei o pouco de Hora H que estive na Feira à Cotovia, após a notícia muito triste do encerramento para breve, prescindindo da planeada visita à Antígona (descobri posteriormente que o Astrágalo está a 5€ sem restrição horária, pelo que alguém mo vai orientar). A Cotovia estava muito mais caótica do que é habitual (possivelmente devido à notícia), e foi a única experiência, em termos de fila, que achei caótica, por estar bastante apertada e avançar muito lentamente, aquilo que eu mais queria evitar*. A editora tinha prometido levar livros descatalogados, mas consta que aumentou o leque nos dias seguintes àquele em que fui; perguntei por A Chave da Casa, de Tatiana Salem Levy, mas, não estando disponível, trouxe apenas o romance de Frederico Lourenço e Remédios contra o amor, de Ovídio. Tenho algum anseio que a editora promova uma nova campanha online, como a que fez em Abril, para escoar stock e de modo a eu poder fazer uma aquisição mais preparada.

Tenho muita pena pelo fim da Cotovia, embora fosse uma morte já anunciada. Para quem for novo aqui, fica aqui uma memória de quando aderi a uma iniciativa deles, numa Feira do Livro passada.

* a explicação e parágrafo final: pedi a alguém que já ia à Leya, de qualquer modo, que me adquirisse o livro de Judith Teixeira, que temia não lá encontrar em anos futuros. Tenho muita curiosidade acerca da obra da autora, e esta compilação, com os 50% de desconto da Hora H, parece-me ideal para a explorar. No entanto, e sabendo como costuma estar apinhada a área da Leya, confesso que (especialmente enquanto doente crónica) tive medo. Há pessoas destemidas e maravilhosas que se oferecem para ajudar os outros nestes momentos - por mais fútil que possa soar neste contexto.