«Diz que sou estranha

Que tenho traços especiais

Como se houvesse alguma coisa errada em mim

Que nem se entranha

Que não sei quê, não sei que mais

Será que nunca tinham visto alguém assim?

[...]

Diz que sou tonta

Por ter a franja desigual

E por andar sempre descalça por aí

Que sou do contra

Por não ver o telejornal

E que me visto à rapaz só porque sim

Sinto que o mundo vai virando do avesso

Enquanto falam, eu faço e aconteço

Se há festa em apareço

Eu quero é dançar e ser assim como sou

[...]

E quero lá saber se sou normal

Eu sou poema de Pessoa, arco-íris, vendaval

Sou Joana d'Arc, sou Zé Ninguém

Sou quem eu for quando eu quiser

E se incomoda ainda bem

Eu sou assim, sou como sou

Um palácio inacabado

Um infinito atrás do fim

[...]

Deste meu jeito que é meu, desta forma

Venha o fado que eu sambo a morna

Deste meu jeito que é meu, que é feitio

Só sei que a vida é feita para viver

E eu vou viver deste meu jeito que é meu»