Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Eu havia estabelecido como meta pessoal para o ano de 2013 ler 40 livros. Uma meta modesta, pensava eu, já prevendo o tempo que eu investiria na preparação para a seleção do mestrado neste ano. No final das contas, li 41 livros, quase todos resenhados aqui no blog.

Este foi um ano novo para o Catálise Crítica e para mim enquanto leitor. Fechamos parcerias com as Editoras Intrínseca e Companhia das Letras, e, como consequência disso, li muitos livros que originalmente não entrariam na minha fila de leitura. Não comecei a ler tudo que é blockbuster apenas para atrair visitas para o blog. Entendo quem faz isso, mas meu tempo é escasso demais para ler algo cuja chance de eu detestar eu sei que é muito grande.

Os dez livros que li por conta das parcerias, podem assim ser classificados:

– Três são de não ficção (os excelentes O Diário de Helga, Comandante e Os números do jogo);

– Um é de Neil Gaiman, um dos meus escritores favoritos (O oceano no fim do caminho);

– Quatro são de autores brasileiros, uma tendência constante nas minhas listas (Em breve tudo será mistério e cinza, presente no meu Top 10, A Maçã Envenenada, A cidade, o inquisidor e os ordinários e a única leitura da qual realmente não gostei dentre os dez livros: Sal, de Letícia Wierzchowski);

– Dois são de autores estrangeiros (Bel Canto, um ótimo livro, e o único verdadeiro blockbuster que me arrisquei a ler, sem arrependimento: Garota Exemplar).

Findo esta observação sobre as parcerias, que, espero, continuem no ano que vem, apresento a seguir os dez livros dos quais mais gostei. Apesar de ter tentado, não consegui classificá-los em ordem de preferência, com exceção dos dois primeiros da lista.

Percebi, enquanto escolhia dez dentre os livros que li, que tive que dar uma forçada para encontrar o décimo livro, quando o usual seria eu ter dificuldade em restringir a lista a dez títulos. Isso me deixou a nítida impressão de que, no tocante à literatura, 2013 não foi um ano memorável como 2011, quando li Crônica da Casa Assassinada, Madame Bovary, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios e Os Desvalidos, apenas para citar alguns, ou 2010, quando li Luz em Agosto e Meridiano de Sangue!

Para mim, apesar de a lista contar com belíssimos livros, há apenas um do qual, imagino eu, me lembrarei daqui a cinquenta anos, quando estiver falando de literatura para meus netos. Ele ocupa o primeiro lugar desta lista, naturalmente.

Bem, vamos lá:

10 – Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera

9 – Três Contos – Gustave Flaubert

8 – Peixe Dourado – J. M. G. Le Clézio

7 – Em breve tudo será mistério e cinza – Alberto A. Reis

6 – As aventuras de Pinóquio – História de um boneco – Carlo Collodi

5 – Cabeça a Prêmio – Marçal Aquino

4 – A Hora da Estrela – Clarice Lispector

3 – 2666 – Roberto Bolaño

2 – 1Q84 volumes 1 e 2 – Haruki Murakami

1 – O Som e a Fúria – William Faulkner

o-som-e-a-furia

Foi o antepenúltimo livro que li em 2013, tanto que ainda não resenhei (a resenha virá apenas em 2014). Mas é aquele livro que, antecipando o que escreverei, lembrou-me que Faulkner é um gênio, um verdadeiro gênio. Um livro desafiador, difícil, instigante, mas que recompensa prodigamente o leitor que vai até o final. Terei muito prazer em falar dele para meus netos, se daqui a cinquenta anos ainda estiver vivo.

E que venha 2014.

Por falar nisso, qual vai ser seu primeiro livro no ano que vem?

Eu terminarei a Nova Antologia do Conto Russo, parcialmente resenhada aqui e aqui.