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Jan23

Maria do Rosário Pedreira

Neste mês de Janeiro publiquei o livro de uma jovem autora sevilhana, Elisa Victoria, que aqueles que frequentam habitualmente as Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, poderão conhecer ao vivo já no próximo mês de Fevereiro. O romance chama-se Vozdevelha (assim, tudo seguido), o nome por que é conhecida na escola a protagonista, em virtude de se sentir melhor ao lado de adultos do que de crianças e ter conversas que nem sempre são compreendidas pelas colegas. É verdade que Marina passa grande parte do seu tempo com a avó, apaixonada de Felipe González (a história passa-se no ano da EXPO de Sevilha, 1992), o que pode justificar os seus assuntos às vezes desajustados; mas a mãe está doente e é frequentemente internada para tratamentos, o que leva a que a criança de facto cresça antes do tempo, com os temores naturais de perder a progenitora e o comportamento desacabelado da avó. Mas é fascinante (e às vezes também chocante) esta voz de velha de Marina, menina dos subúrbios de uma cidade  do Sul da Europa no final do século XX que tem, afinal, tantas coisas em comum com os arredores de Lisboa. Terno e autêntico, Vozdevelha é um romance fulgurante sobre uma criança muito inteligente num mundo que às vezes é bastante estúpido e, se quisermos, também um retrato nada condescendente dos habitantes das periferias. Como diz a escritora Elvira Lindo: inesquecível.

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